Juros, contas públicas, eleições, tecnologia e mercado de trabalho são os assuntos da vez da economia do Brasil e do mundo, segundo Rafael Furlanetti, apresentador do Hot Market, novo programa da CNN que estreia neste domingo (22), às 23h15 na CNN Brasil, e segunda-feira (23), às 19h, no CNN Money.
Furlanetti, que também é diretor institucional da XP Inc. e presidente da Ancord (Associação Nacional das Corretoras de Valores), entra no time da CNN com a proposta de trazer às telas conversas dos bastidores do mercado financeiro, aproximando o público do empresariado e contribuindo, assim, para tomadas de decisões mais precisas e eficientes.
Nascido no interior do Espírito Santo, filho de mãe professora e pai empresário, “Furla” – como gosta de ser chamado – enxerga o brasileiro como uma figura que sonha com o empreendedorismo. E em torno dessa dinâmica, ele acredita que o cenário econômico no país está passando por uma mutação importante.
É nesse contexto que o Hot Market estreia na CNN Brasil, no próximo domingo (22), às 23h15, trazendo como primeiro convidado o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. E na segunda-feira (23), às 19h, o programa será exibido também no CNN Money.
Conheça um pouco mais sobre o apresentador da CNN, Rafael Furlanetti, e seus insights sobre o momento da economia na entrevista a seguir:
Qual o principal tema global do mercado financeiro para 2026?
O principal tema para o mundo é se o banco central americano vai cortar juros. É a taxa mãe do mundo. Então, [se] vai ter juro alto nos Estados Unidos por muito tempo, o investidor vai deixar seu dinheiro surfando por lá.
Também estão de olho em como os EUA vão gerir a sua dívida pública porque não podem ficar imprimindo moeda desenfreadamente, se não o dólar vai se desvalorizar em relação a outras moedas do mundo.
O mercado também acompanha como a inteligência artificial vai mudar o mundo. Semana passada, teve empresas de consultoria e software com a ação caindo 10%, 20%. As pessoas estão avaliando como a IA vai impactar alguns setores que eram muito bons.
Mas, por exemplo, se eu conseguir programar pelo meu sistema de IA meus próprios sistemas de controle interno, qual vai ser o valor dessas empresas de software no futuro? Ninguém sabe. São empresas que talvez podem ficar dizimadas. Há essa dúvida muito grande.
E para o Brasil?
Agora tem que discutir eleição: qual é o projeto político que vai estar em 2027 e como vai enfrentar o debate das contas públicas? A dívida-PIB no Brasil é quase de 80%. Não existe na história dos países emergentes um com a dívida tão alta.
O que salva o Brasil? A dívida é em reais, então a gente deve muito para a gente mesmo, e a gente tem uma reserva de US$ 350 bilhões que protege muito de flutuações. Mas em algum momento isso vai ser olhado com lupa. Agora está passando um pouco despercebido porque existe um fluxo muito grande de investidores estrangeiros aplicando em mercados emergentes, e o Brasil é um grande destino desse recurso.
Os Estados Unidos ficando um pouco mais “barulhentos”, é normal que o investidor leve seu excedente para outro mercado. Esse dinheiro marginal não vai para os Estados Unidos, vai para países que têm empresas da economia velha: petróleo, mineração, construção; e o Brasil é um porto desses investimentos.
Agora, em algum momento esse fluxo vai secar e vai voltar esse debate de sustentabilidade das contas públicas. As contas não fecham com juro real de 7% no país.
E o que falta para os juros poderem começar a cair no Brasil?
Ajuste das contas públicas.
Como você avalia o futuro do mercado de trabalho?
Ao olhar para a questão do fim da escala 6×1, proposta debatida no Congresso Nacional, Furlanetti acredita que mudanças requerem diálogo para que a ruptura não seja drástica.
“A economia está mudando no mundo, as profissões estão mudando, só que a gente tem que ter muita responsabilidade. […] Tem alguns setores que vão ter que passar por uma transição, se não haverá um aumento de custo muito grande se isso for aprovado sem ser alinhado com os setores”, diz.
“Acredito que esse debate vai ser amplo, conduzido pelo Congresso Nacional, com participação da sociedade; e que alguns setores vão ter muita dificuldade, vão ter que ter uma transição mais longa. Outros talvez estejam mais preparados, mas é um debate importante porque o trabalho mudou, as pessoas querem ter mais flexibilidade, querem até trabalhar mais em alguns momentos para poder ganhar mais. Um empreendedor é assim, ele trabalha 24/7 praticamente”, pontua.
Como se inicia sua experiência no mundo financeiro?
Eu trabalho há 20 anos no mercado financeiro e grande parte da minha carreira foi atendendo grandes fundos de investimento do Brasil, estando muito próximo deles nas tomadas de grandes decisões, o que me fez participar talvez de todas as operações de abertura de capital ou aumento de capital de empresas de 2018 a 2022.
Operações icônicas como a abertura de capital do Grupo São Mateus, por exemplo, a abertura de capital da CSN Mineração, que foi uma grande operação de mais R$ 6,3 bilhões de oferta.
Minha vida toda estive muito próximo dos grandes tomadores de decisão do Brasil, dos grandes investidores e, por consequência, muito próximo dos grandes empresários do país.
E no Brasil tem que entender política também, estar perto das grandes lideranças políticas porque as decisões do Congresso afetam a economia. Tem que escutar todos, então sempre fui um grande “fazedor de pontes”. Minha paixão é fazer com que as pessoas conversem e tomem as melhores decisões.
De onde vem a motivação de entender a história das pessoas e o que está acontecendo?
Sempre fui muito curioso com a vida das pessoas, sempre perguntei muito. Sou aquele cara que pergunta a tua história, se eu vou pegar um Uber, um táxi, pergunto a mesma coisa.
Sempre acreditei que me interessar pelas pessoas é uma boa maneira de aprender e, de alguma forma, gostarem de você.
Fui uma criança que queria agradar, procurei servir e isso me ajuda muito na minha carreira até hoje.
Quando entrei como estagiário no banco, na hora do almoço eu pegava a comida da equipe na recepção, servia, levava os pratos, servia água, café.
Mesmo estudando na Fundação Getúlio Vargas, nunca me vi numa posição de rebaixamento por estar servindo o outro, então até hoje é super comum e isso fez me conectar com muitas pessoas no Brasil e no mundo.
E isso ajuda a entender a economia?
Só olhando uma planilha você não vai entender o que se passa na cabeça das pessoas. Um dos grandes produtos que desenvolvi foi colocar os fundos de investimento para falar com outros empresários que não estão na bolsa, quase um trabalho jornalístico de falar com concorrente, cliente.
Para entender o que está por trás do Excel, precisa entender as pessoas e perguntar. E a melhor maneira de você entender sobre o outro é perguntando. Ser uma pessoa muito perguntadora e com interesse na história do outro foi um grande diferencial para minha carreira.
E a proposta do Hot Market passa por isso? Como está a expectativa para o programa?
Queria trazer um pouco do que eu faço no meu dia a dia para as telas e impactar a vida de mais gente. Então, meu objetivo, se eu puder estimular pessoas a empreender, dar informação para digerirem melhor seus negócios ou suas finanças, vou estar super satisfeito de alguma forma por conseguir fazer isso.
A televisão, a credibilidade e a amplitude que a CNN tem é um casamento perfeito. Estou muito feliz e é muita responsabilidade também de trazer coisas para as pessoas toda semana.