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Na noite desta terça-feira (11), quando Jair Bolsonaro completa 100 dias em prisão domiciliar, o PL (Partido Liberal) promoveu um evento em Brasília que contou com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Aliados buscaram transmitir a mensagem de que ela é “a voz do ex-presidente” enquanto ele está preso.

Nos bastidores, embora a situação ainda esteja em aberto, Michelle é tida como potencial candidata ao Congresso ou até mesmo à Presidência à República nas eleições do ano que vem. Jair Bolsonaro está inelegível até 2030.

Em discurso de cerca de seis minutos, Michelle disse que Deus tem guiado a família e que o “bem vai prevalecer”.

“Estamos aqui juntos num propósito: de rodar pelo Brasil, de levar a mensagem de Jair Bolsonaro de fé e esperança”, declarou. Ela ainda reforçou a necessidade de eleger um Congresso “forte, renovado”.

Michelle foi a pessoa mais celebrada para fotos e conversas pelos apoiadores presentes.

O evento no setor de clubes sul serviu para estimular novas filiações ao partido e lançar a pré-candidatura da atual deputada federal Bia Kicis (PL-DF) ao Senado no próximo pleito.

“Estamos aqui por amor ao Brasil e a um homem: Jair Messias Bolsonaro. Ele não está aqui, mas não vamos esquecer dele por nem um minuto”, disse Bia Kicis.

A deputada ainda lembrou de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) — menos aplaudido do que o pai pelos presentes — que está morando nos Estados Unidos desde o início do ano.

Também estiveram na cerimônia o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, os senadores Flávio Bolsonaro (PL-DF) e Rogério Marinho (PL-RN), além do deputado federal Izalci Lucas (PL-DF), entre outros políticos ligados à sigla.

“Meu pai está hoje num cativeiro e pior…o sequestrador quer exigir o pagamento de um resgate para tirá-lo dessa situação. Tenho para mim que o sequestrador está achando que pode trocar Bolsonaro pela retirada da [Lei] Magnitsky sobre ele, como se nós tivéssemos algum controle, por ele ter sido sancionado como violador de direitos humanos internacional. Se ele acha que alguém vai ficar calado, acovardado, porque ele usa uma arma covarde – que é uma caneta para escrever a própria Constituição e escolher quem quer perseguir -, ele está muito enganado”, declarou Flávio Bolsonaro.

Valdemar da Costa Neto, por sua vez, não fez menções a Jair Bolsonaro em sua fala – preferiu concentrar os elogios a Bia Kicis.

Outros políticos aproveitaram a ocasião para discursar em prol do ex-presidente.

“Querem nos emudecer, querem nos quebrar, mas acreditamos no Brasil”, citou Rogério Marinho. “Prenderam Bolsonaro, mas só fizeram brotar milhões de Bolsonaro pelo Brasil. É momento de luta, resistência e resiliência.”

O evento foi embalado por músicas durante quase todo o tempo. Inclusive, uma era apelidada de “pancadão do Bolsonaro”, com elogios ao ex-presidente.

Apoiadores na plateia chegaram a ensaiar passos de dança ao som da música. Também gritaram “volta, Bolsonaro”.

Era possível ver faixas e imagens com o escrito “100 dias de censura, de prisão ilegal e de injustiça”.



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