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Projeto-piloto leva alunos da rede estadual a conquistar mais de 400 medalhas em olimpíadas do conhecimento

Mais de 400 medalhas conquistadas em olimpíadas do conhecimento de abrangência nacional e internacional. Esse é o saldo atual do Projeto Futuro, iniciativa-piloto criada em 2022, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, junto a estudantes da rede estadual de ensino.

O projeto incentiva os alunos a desenvolver habilidades e competências úteis em diferentes áreas do conhecimento, de Matemática e Língua Portuguesa a dança e xadrez. A diversidade fica clara nos resultados: ao longo dos últimos quatro anos, participantes da iniciativa ganharam medalhas em olimpíadas de Matemática, História e Geografia, mas também em Psicologia, Geopolítica e Ciências Espaciais, entre muitas outras.

“O Projeto Futuro é um exemplo de como, no Paraná, o aluno da rede estadual pode alcançar vôos altos, com resultados expressivos em nível nacional e internacional em diferentes áreas do conhecimento. Esse tipo de iniciativa demonstra não só a capacidade desses estudantes, como também o esforço diário dos professores e funcionários que fazem a educação acontecer, todos os dias, na ponta”, apontou o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda.

Atualmente, o Projeto Futuro está presente em cinco escolas de Ponta Grossa, mas atende alunos de 11 instituições do município. Ao todo, mais de 190 estudantes participam da iniciativa. Nota, frequência e comportamento em sala de aula são alguns dos pré-requisitos para ingressar e permanecer no projeto.

Em sala de aula, os participantes estudam e debatem conteúdos de diferentes componentes curriculares, que se alternam com estações práticas de videogame, xadrez e tênis de mesa. Música, dança e línguas estrangeiras também fazem parte dos encontros, que ocorrem uma vez por semana, em contraturno. Conforme o criador do projeto, professor Bruno Ramos Stempniak, o uso de metodologias ativas e abordagens interdisciplinares estimula o aprendizado conjunto em diferentes áreas.

“A integração de diferentes habilidades é essencial, pois tem um grau de potencialização gigantesco. Um aluno que consegue, em uma mesma aula, pensar em Matemática, escrever uma redação, fazer operações no quadro em outro idioma e jogar uma partida de xadrez, enquanto ouve música, tem capacidade para enfrentar qualquer desafio intelectual. Ao mesmo tempo em que o aluno está aprendendo Biologia, ele também aprende Matemática, reflete sobre Sociologia e aplica conceitos de Geografia”, exemplifica.

Ainda segundo o docente, música, dança, esportes e jogos eletrônicos tornam o ambiente propício para o estímulo à concentração e ao hiperfoco dos estudantes. Além disso, as aulas do projeto são multisseriadas, o que significa que alunos de diferentes séries, do 7º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio, compartilham o mesmo espaço, trocando experiências e conhecimentos das respectivas etapas de ensino.

AMPLIANDO POSSIBILIDADES – Quando ingressou na rede estadual de educação, durante a pandemia de Covid-19, Bruno Ramos Stempniak lecionava aulas do Programa Mais Aprendizagem (PMA) – iniciativa da Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) voltada a estudantes que apresentam defasagens em determinados conteúdos.

Com o interesse crescente de demais alunos por suas metodologias ativas, que misturavam música, jogos e cinema aos conteúdos tradicionais, o docente passou a ofertar aulas em contraturno voltadas a estudantes de destaque, que buscavam ampliar as possibilidades de aprendizado para além da sala de aula.

“São atividades que vão expandir o campo de interesse deles, ampliar possibilidades e revelar habilidades que às vezes nem eles mesmos sabiam que tinham, além de enriquecer o currículo de forma potencializada. Dentro do circuito olímpico intelectual, seja em âmbito nacional ou internacional, o estudante consegue ter um dimensionamento da qualidade de ensino que ele está recebendo e do alcance do conteúdo que ele já absorveu”, observa o professor.

O sucesso foi tanto que o projeto, inicialmente sediado no Colégio Estadual Cívico-Militar (CCM) Frei Doroteu de Pádua, se expandiu para demais escolas onde Bruno atuava. Hoje, os colégios estaduais Nossa Senhora das Graças, Professora Sirley Jagas e Regente Feijó, além da Escola Estadual Cívico-Militar Edison Pietrobelli, todos em Ponta Grossa, recebem atividades do Projeto Futuro.

A chegada de mais participantes contribuiu para ampliar a atuação do projeto a novas áreas do conhecimento. Astronomia Digital, Matemática Financeira e Neurociência são outros exemplos de olimpíadas nacionais nas quais alunos do Projeto Futuro enfrentaram – e venceram – concorrentes do Brasil todo. No circuito internacional, os participantes também competiram em olimpíadas de Química, Astronomia e conhecimentos sobre o Oceano, contra participantes de outros países.

Somente em 2026, já foram conquistadas 62 das mais de 400 medalhas do projeto. As mais recentes vieram na Olimpíada de Filmes, cujo resultado foi divulgado na última segunda-feira (27) – os estudantes ponta-grossenses somaram 17 medalhas na competição, que avalia o conhecimento dos estudantes sobre cinema.

Além disso, os alunos do Projeto Futuro também participam de competições internas, que reúnem alunos das diferentes escolas em circuitos de habilidades, conhecimentos e jogos esportivos.

DE OLHO NO FUTURO – Para além das medalhas e olimpíadas, o intuito do Projeto Futuro é ampliar as oportunidades e possibilidades dos estudantes. Segundo o professor Bruno, participantes do projeto têm demonstrado maior facilidade em conquistar vagas em vestibulares e bolsas de iniciação científica em universidades federais e estaduais.

Além disso, nos últimos anos, instituições brasileiras de Ensino Superior passaram a adotar a reserva de vagas em determinados cursos para estudantes que se destacam em olimpíadas do conhecimento – as chamadas “vagas olímpicas”.

Transformar o desempenho olímpico em acesso à universidade é o objetivo de Camilla Borato, de 17 anos, que cursa a 3ª série do Ensino Médio no CCM Frei Doroteu de Pádua. 

Até 2023, quando ingressou no Projeto Futuro, a jovem nunca tinha participado de uma olimpíada do conhecimento. Hoje, já perdeu as contas de quantas olimpíadas prestou, mas guarda com carinho as medalhas conquistadas em competições nacionais de Neurociência, Geopolítica, Oceano e outras. Neste ano, o principal foco de Camilla será a Olimpíada Brasileira de Engenharia, que pode ajudá-la a ingressar em um curso superior de Arquitetura e Urbanismo.

“O projeto ajudou em meu crescimento pessoal e acredito que ainda ajudará muito em meu crescimento profissional. Melhorei excepcionalmente minha comunicação, a forma como enxergo o mundo e minha forma de estudar, focando sempre em conteúdos que não domino. Descobri minha habilidade em jogos e até mesmo em xadrez, no qual não via interesse antes”, relata.

Para Dafni Daeski, de 16 anos, o projeto também foi um passaporte para o outro lado do planeta. Desde o início de março, a jovem está na Nova Zelândia pelo programa Ganhando o Mundo, iniciativa do Governo do Estado que proporciona oportunidades de intercâmbio em países de língua inglesa a alunos da rede estadual.

“Estou vivendo o melhor momento da minha vida, e o Projeto Futuro teve um papel crucial em tudo isso. Antes, eu não tinha um sonho, uma perspectiva de vida, e hoje eu sei o que quero, sei que posso me esforçar e que sou capaz de realizar meus sonhos”, explica.

Dafni cursa a 2ª série do Ensino Médio no Colégio Estadual Nossa Senhora das Graças e integra o Projeto Futuro desde 2022. Nos últimos quatro anos, a estudante participou de olimpíadas nacionais em diferentes áreas, como Cinema, Geopolítica, Língua Inglesa, Inteligência Artificial e Inovação, além de competições internacionais sobre Química e Astronomia. Além das medalhas conquistadas, a jovem celebra o desenvolvimento de competências que considera essenciais para o futuro.

“Antes, eu era uma pessoa muito calada. Acabei fazendo mais amigos, conhecendo novas pessoas e histórias, e sem dúvida, aprendi muitas coisas que levarei para o resto da vida. Melhorei a minha escrita, meu modo de falar, minha coordenação e até a atenção nas aulas”, afirma.

Tornar os alunos mais atentos e concentrados nas demais aulas também é um dos objetivos da iniciativa, cujo impacto vai além do contraturno. Segundo Sandro Teixeira, diretor do Colégio Estadual Sirley Jagas, o Projeto Futuro beneficia não apenas os estudantes que participam diretamente, mas toda a comunidade escolar.

“Para os alunos que participam do projeto, isso representa um crescimento escolar gigantesco. E existe um impacto também no ambiente escolar, tanto para os demais alunos quanto para as famílias, principalmente em relação ao exemplo, já que eles vêem os colegas alcançando conquistas antes inimagináveis para a escola pública. O projeto tem potencial para continuar crescendo e atingir ainda mais objetivos”, opinou.

A partir dos resultados do projeto-piloto, a Seed-PR estuda a ampliação da iniciativa para outras escolas, em demais regiões do estado, a partir de 2027.

Fonte: PARANAGOV

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