O socorro à gigante do etanol Raízen entra para a história corporativa brasileira como o maior caso de recuperação extrajudicial do país, segundo levantamento do OBRE (Observatório Brasileiro de Recuperação Judicial).

Noticiado pelo CNN Money na terça-feira (10), o acordo estruturado pela companhia supera os demais 287 casos levantados pelo OBRE nos últimos 20 anos, com a inclusão de, aproximadamente, R$ 65,1 bilhões em obrigações no pedido.

Contudo, fato relevante publicado pela Raízen na quarta-feira (11) atesta que também serão incluídos no processo “outros créditos intercompany (‘Créditos Sujeitos’)”.

Ao se debruçar sobre o plano apresentado pela empresa à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), e somando estes aos outros R$ 65,1 bilhões, a dívida da Raízen pode chegar a R$ 98,63 bilhões, segundo o OBRE.

“Trata-se do maior plano já mapeado nessa modalidade, consolidando a tendência já identificada nos últimos anos de que o instrumento vem crescendo em quantidade, ao mesmo tempo em que é utilizado em reestruturações de grande escala”, afirma Juliana Biolchi, diretora do Observatório.

“Isso indica um grau maior de confiança das empresas e dos credores nesse modelo de negociação, que combina acordos privados com homologação judicial”, conclui.

Questionada, a empresa disse que não comentaria o assunto.

Mas tanto o valor de R$ 98,63 bilhões com os “créditos intercompany“, quanto o de R$ 65,1 bilhões só com as dívidas concorrenciais colocam a recuperação extrajudicial da companhia como a maior do país. Veja o ranking a seguir:

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Plano de recuperação extrajudicial

O grupo terá 90 dias para alcançar a obrigação mínima apresentada no plano para a homologação judicial, o que possibilitará a vinculação de 100% dos “créditos sujeitos” a novos termos e condições de pagamento a serem definidos.

São apresentados dois caminhos para esses “créditos sujeitos” no fato relevante, de modo que o plano poderá envolver:

  • A conversão de parte dos “créditos sujeitos” em participação acionária na companhia;
  • A substituição de parte dos “créditos sujeitos” por novas dívidas.

Ademais, o plano prevê a possibilidade de capitalização do grupo por seus acionistas e reorganizações societárias destinadas à segregação de parte dos negócios atualmente conduzidos pelo grupo.

O plano busca dar à empresa um ambiente protegido para preservar caixa, especialmente com a aproximação do início da safra de cana-de-açúcar, período que exige maior capital de giro.

A recuperação extrajudicial suspende apenas o serviço das dívidas financeiras, enquanto os pagamentos a fornecedores seguem normalmente.

Segundo a empresa, credores que representam mais de 47% das dívidas financeiras quirografárias já aderiram ao plano de recuperação extrajudicial.



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