O setor de máquinas e equipamentos brasileiro recebeu com satisfação a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que considerou ilegal a imposição unilateral de tarifas abrangentes em todo o mundo por Donald Trump. Em entrevista ao Agora CNN, José Velloso, presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), destacou que o setor foi um dos mais afetados pelas tarifas americanas.

“Nós recebemos a notícia com bastante alegria, porque o setor de máquinas e equipamentos é o setor que foi mais afetado pelo tarifaço”, declarou Velloso.

Segundo ele, o segmento não havia sido incluído nas exceções concedidas anteriormente por dois motivos: por não compor diretamente o índice de inflação americana e por concorrer com fabricantes locais dos Estados Unidos.

Apesar da comemoração inicial, Velloso alertou para a instabilidade das políticas comerciais americanas. “Veja só a insegurança jurídica que os Estados Unidos têm hoje. Começou o dia de ontem e tínhamos tarifa de 50%. No final do dia de ontem, tínhamos uma tarifa de 10%. E hoje, temos uma tarifa de 15%. Então, todos os dias, isso está mudando”, explicou.

Impactos práticos e insegurança no comércio

O presidente da Abimaq destacou que, mesmo com a redução das tarifas de 50% para 15%, a insegurança jurídica permanece como um obstáculo para os exportadores brasileiros.

“No mundo real, o exportador vai continuar inibido a exportar para os Estados Unidos. Porque, veja, hoje a tarifa é 15%. Eu embarco minha mercadoria no navio, ela vai chegar daqui a 45 dias nos Estados Unidos. Quem me garante que daqui a 45 dias a tarifa é 10%?”, questionou.

Velloso também mencionou que os Estados Unidos podem utilizar outros mecanismos para elevar novamente as tarifas contra produtos brasileiros, como a seção 301, que investiga práticas comerciais consideradas desleais.

“Se o Brasil perder essa disputa, e na minha previsão o resultado da 301 vai ser em maio, ou um pouquinho para frente, entre maio e junho, deve sair o resultado, aí os Estados Unidos poderá elevar a tarifa do Brasil novamente”, alertou.

Expectativas para negociações

O presidente da Abimaq ressaltou a importância do encontro previsto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente americano, Donald Trump, programado para a segunda quinzena de março. Segundo ele, a decisão da Suprema Corte pode criar um ambiente mais equilibrado para as negociações.

“Eu acredito que com essa decisão da Suprema Corte, eu prefiro olhar o copo meio cheio. Eu acho que é um facilitador para uma negociação, porque antes dessa decisão, o Brasil colocou uma condição: só sentamos para negociar qualquer coisa se tirar as tarifas. Agora, as tarifas já foram retiradas”, explicou.

Velloso enfatizou que, apesar das diferenças ideológicas entre os líderes, o pragmatismo pode prevalecer. “A relação entre o Trump e o presidente Lula parece ser boa em cima do pragmatismo e não da ideologia de ambos”, avaliou.

Ele acrescentou que o Brasil tem vantagens em fazer um acordo com os Estados Unidos, removendo “essa espada da cabeça da indústria brasileira” e potencialmente aumentando o comércio bilateral.



Source link

Últimas Notícias

plugins premium WordPress

MENU

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Motocicleta é encontrada abandonada no Cascavel Velho

Felipe Melo se rende a Messi e o coloca acima de Maradona: “O maior que vi”

Flávio reafirma uso eleitoreiro das tarifas dos EUA | Blogs | CNN Brasil

Polícia encontra bebê tentando mamar em mãe morta pelo marido em MG

Princípio de incêndio em quiosque mobiliza Corpo de Bombeiros na Avenida Brasil, em Cascavel

Riscos fiscais da União deveriam ser fidedignos, diz pesquisadora do Insper

Polícia Militar recupera veículo furtado minutos após crime em Foz do Iguaçu

“Colisão de grande impacto”, relatou o bombeiro sobre acidente que deixou motociclista gravemente ferido

Política não corrompe lógica de pragmatismo de audiência nos EUA | Blogs | CNN Brasil

“Virada faraônica”: imprensa mundial se rende à reação da Argentina na Copa