Anúncio


O espaço aéreo onde dois helicópteros colidiram, na manhã do último domingo (14), no Recreio dos Bandeirantes, não tem controle de tráfego aéreo, mas há rotas definidas, na chamada frequência de autocoordenação. O local é uma área de confluência de trajetos de aeronaves no Rio de Janeiro.

Sem a orientação dos controladores de voo, o risco é que eventualmente ocorram conflitos durante a tomada de decisão dos pilotos. Além dos helicópteros, a região do Recreio tem movimentação de parapente, salto de paraquedistas e ultraleves.

A Polícia Civil investiga os planos de voo e a rota percorrida pelos dois helicópteros. 

A CNN Brasil conversou com pessoa ligada à NAV (Serviços de Navegação Aérea), estatal responsável pelo tráfego aéreo, que não quis se identificar, para falar sobre a região.

“Isso é uma coisa potencialmente perigosa, porque sem informação precisa, ou sem restrições feitas por um controlador, essas aeronaves sobem no ritmo e na velocidade, na posição em que elas quiserem”, diz a fonte.

O número de acionamentos do CBMERJ (Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro) para ocorrências envolvendo aeronaves registrou forte alta neste ano.

Dados obtidos pela CNN Brasil mostram que foram contabilizados 12 atendimentos, em 2026, até o momento. Um aumento de 300% em relação ao mesmo período de 2025 (três ocorrências).

LEIA MAIS: MPT dá prazo para Anac definir norma sobre fadiga de pilotos brasileiros

Diferente de São Paulo, no Rio de Janeiro não há um ponto central para o controle de helicópteros. O Helicontrol é um sistema implementado para o monitoramento e controle de voos de helicópteros na capital paulista e está sediado no Aeroporto de Congonhas.

Apenas em 2025, o Helicontrol registrou 39.581 voos em São Paulo.

Sem controle de tráfego

O  acidente aconteceu em um local que não tem a orientação de controladores de voo. Na imagem do mapa abaixo, é possível ver a figura ‘meia-lua’ com uma área azul; apenas este espaço é controlado pela equipe de tráfego aéreo do Aeroporto de Jacarepaguá, que é o ponto de partida da aeronave que colidiu e levava o piloto Alexandre Souza, o cantor norte-americano Oliver Tree, os argentinos Lucas Vignale e Gaspar Prim, além do produtor musical Lucas Frota.

O acidente aconteceu próximo da Avenida das Américas, no bairro Recreio dos Bandeirantes, local fora da jurisdição ‘controlada’ (indicada pelo pontilhado azul acima). Nesta rota, os pilotos devem seguir as regras gerais de operação (norma RBAC 91), respeitando, por exemplo, a altitude inferior e superior dos corredores visuais para aeronaves de asa fixa ou helicópteros, pontos de notificação obrigatórios, limites das condições meteorológicas para voo visual ou voo por instrumentos.

O crescimento e a modernização da frota de helicópteros no Brasil, aliados ao aumento do volume de operações em áreas de elevada complexidade operacional, reforçam a necessidade de constante evolução dos procedimentos de circulação aérea, especialmente em regiões próximas a aeroportos e corredores de grande movimentação.

Posicionamento da ABRAPHE (Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero)

Outro lado

Procurado pela reportagem, o governo do Rio de Janeiro preferiu não se manifestar, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) alegou que a responsabilidade é da FAB (Forças Aérea Brasileira).

Em nota enviada à CNN Brasil, a FAB, por meio do DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), se posicionou alegando que o Helicontrol em São Paulo existe desde 2004 para atender a uma demanda específica e que “tanto em espaços aéreos controlados ou não controlados, ambos são seguros desde que as suas respectivas regras sejam cumpridas”.

LEIA MAIS: “Não foi acidente”, diz pai de youtuber morto em queda de helicóptero no RJ

Ainda durante o posicionamento, a instituição militar reforça que a necessidade de um controle diferente não é apenas por questão de quantidade de voos.

“A diferença de volume, entretanto, não é, isoladamente, o critério para a implantação do HELICONTROL. O fator determinante em São Paulo é a concentração de helicópteros em uma área diretamente associada às aproximações e decolagens de Congonhas, especialmente durante fases críticas das operações de aeronaves de asa fixa”, reforça a FAB.

Já a ABRAPHE (Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero), por meio de um comunicado, afirmou que acompanha os desdobramentos das investigação e colabora com as autoridades do setor, entre elas o DECEA.

Mas reforça que, apesar da aviação por helicópteros permanecer uma atividade segura e altamente regulamentada, o crescimento da frota de helicópteros no Brasil necessita mudanças: “Neste contexto, a ABRAPHE já trabalha na elaboração de propostas voltadas ao estudo e aperfeiçoamento da circulação aérea nas regiões de Jacarepaguá (RJ) e Campo de Marte (SP), consideradas atualmente entre as mais sensíveis para a operação de helicópteros no País”.

 

*Com informações de Camille Barbosa e Cleber Rodrigues



Source link

Últimas Notícias

plugins premium WordPress

MENU

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Outono no Paraná registrou temperaturas dentro da média e volumes de chuvas mais altos

Vídeo: avistamento raro de baleia-fin surpreende em Ilhabela

Entra em vigor lei que regulamenta a profissão de arteterapeuta

Mendonça definirá local de prisão de Daniel Vorcaro na próxima semana | Blogs | CNN Brasil

Brasil cai em ranking de competitividade mesmo com baixo desemprego

Umuarama ganha nova estrutura de saúde para a região e recebe R$ 110 milhões em investimentos estaduais

Com foco em Biologia, aulão do Enem chega a Curitiba para 330 estudantes da rede estadual

Equador x Curaçao: horário e onde assistir à Copa do Mundo

Programa de atenção domiciliar amplia cuidado aos idosos no país

Rota onde helicópteros colidiram no RJ não tem controle de tráfego aéreo