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Sanepar já plantou 250 mil árvores nativas no entorno do Reservatório Miringuava

A Sanepar atua com diversas estratégias de recuperação ambiental no Reservatório Miringuava, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Além do resgate da flora e da fauna locais, a companhia coordena o plantio de mudas para restaurar a floresta nativa. Até o momento, 250 mil mudas de 35 espécies diferentes já foram plantadas em 112 hectares.

Segundo o diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, o Miringuava é uma reserva essencial para garantir a segurança hídrica da população e para enfrentar cenários de escassez hídrica. “Planejamos e executamos ações que visam mitigar os impactos e promover benefícios ambientais, concomitantes à garantia do abastecimento público”, observa.

A área total da barragem do Miringuava é de 430 hectares, sendo que 350 hectares eram de vegetação nativa e várzeas. “A recuperação ambiental com plantios de mudas teve início antes mesmo do enchimento do reservatório, o que é considerado inovador no contexto do saneamento, possibilitando a restauração do entorno, acelerando os processos ecológicos e beneficiando o próprio reservatório”, destaca o diretor de Meio Ambiente e Ação Social da Sanepar, Fernando Guedes.

As margens da barragem e as áreas em recuperação farão parte de um corredor de biodiversidade de 8 milhões de metros quadrados que será conectado ao Parque Nacional Guaricana, área 62% superior à utilizada para a reservação de água.

“O objetivo é criar um maciço florestal no entorno do reservatório que será direcionado para fazer essa conexão com o parque. O IAT exige que a compensação ambiental seja maior do que a supressão vegetal e a Sanepar está propondo 950 hectares de compensação, mais do que o dobro do que a área ocupada pelo Miringuava”, afirma o engenheiro florestal da Sanepar, Aurélio Lourenço Rodrigues

RECUPERAÇÃO Cerca de 35 espécies diferentes foram plantadas, incluindo as de rápido crescimento inicial, como a aroeira e a bracatinga, e as típicas da floresta da região, como araçá, pitangueira, açoita-cavalo, cedro e araucária.

São necessárias várias etapas no processo de recuperação, que incluem o preparo, a adubação e a correção do solo. Após a abertura das covas, é feita uma adubação específica para as mudas que serão plantadas. São utilizadas mudas produzidas pela própria Sanepar e também por parceiros, como o IAT, a ONG Sociedade Chauá e a Itaipu Binacional.

Após o plantio, o trabalho foca na manutenção das mudas, com práticas como o coroamento, que consiste na limpeza ao redor do tronco da planta para evitar competição com vegetação indesejada. Também é realizado controle de pragas e aplicação de nutrientes que favorecem o crescimento das plantas ao longo do tempo.

A ocupação das margens da represa por floresta aumenta a disponibilidade hídrica, a qualidade da água e a vida útil do reservatório ao melhorar a infiltração da água no solo e evitar a erosão. “Se o sedimento vai para o corpo hídrico, ocorre o assoreamento, diminuindo o volume útil do reservatório, e pode ocorrer o enriquecimento de nutrientes que não são bem-vindos na água”, esclarece o engenheiro florestal da área de Pesquisa da Sanepar, Maurício Bergamini Scheer.

Ele ressalta ainda que a recuperação com o plantio de mudas ajuda a natureza a prestar seus serviços ecossistêmicos e contribui para o estoque de carbono, importante para retirar o gás carbônico do ar, principal causador do efeito estufa.

EXEMPLO – A Sanepar é responsável por 25 hectares de sítios experimentais no entorno do Reservatório Piraquara II que fazem parte do projeto Tecnologias de Recuperação de Áreas Degradadas, junto com o Viveiro de Tecnologias de Produção de Mudas da Sanepar. “Estabelecemos vários tratamentos para que as demais áreas da Companhia pudessem usar as experiências adquiridas no processo de restauração ambiental e sucessão ecológica de acordo com os diversos graus e níveis de degradação do solo”, esclarece Scheer.

As técnicas aplicadas visam melhorar a condição de sombreamento, fixação de carbono, umidade do terreno e a recuperação de nutrientes do solo. As plantas crescem e depositam folhas que reproduzem a matéria orgânica do solo perdido, alimentando o ciclo natural que vai devolver a biodiversidade da área. “Damos um empurrãozinho para a natureza fazer o seu papel”, pontua.

Uma das estratégias aplicadas com bons resultados na sucessão ecológica é o plantio de linhas de bracatinga, que tem rápido crescimento, fixa o nitrogênio atmosférico e ajuda a mudar o microclima e as condições do solo. Nas entrelinhas é feito o plantio de espécies diversas com crescimento mais lento e que precisam de mais sombra e umidade para crescer. “A bracatinga tem uma vida curta, então com 14 ou 15 anos vai sair naturalmente do sistema, dando espaço para as outras espécies plantadas e muitas outras que a própria natureza traz”, conta o pesquisador.

O conhecimento obtido a partir dessas pesquisas e o sucesso dos sítios experimentais são aplicados na recuperação de áreas pela Sanepar, como as do reservatório Miringuava. Os estudos ainda ultrapassam as fronteiras da Companhia e contribuem para a ciência em publicações científicas internacionais sobre restauração ecológica e ao fazer parte de planos de trabalho com estudantes, professores e pesquisadores de universidades.

MIRINGUAVA – O reservatório Miringuava está em processo de enchimento e vai ampliar a disponibilidade de água em 25% do Sistema de Abastecimento Integrado de Curitiba (SAIC), formado pelos reservatórios Iraí, Passaúna, Piraquara I e Piraquara II. Sua capacidade de reservação de 38,2 bilhões de litros atenderá 650 mil pessoas diretamente e fortalecerá o sistema de abastecimento de 3,5 milhões de habitantes da região metropolitana. Com a água reservada, a ETA Miringuava dobrará a sua capacidade de tratamento, passando de 1.000 para 2.000 litros de água por segundo.

Fonte: PARANAGOV

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