O grupo de trabalho criado pela CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado para analisar a crise do Banco Master pretende ouvir personagens centrais do caso, como o banqueiro Daniel Vorcaro, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ex-presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto.

Sem sinal de que a cúpula do Congresso se comprometerá com uma CPI para investigar o Master, o GT idealizado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) é uma alternativa às investigações, com objetivo de rastrear, sobretudo, os tentáculos do Master sobre a política.

Na próxima semana, o grupo deve se reunir para fechar um cronograma para os depoimentos e solicite acesso a documentos e relatórios já produzidos por órgãos que investigam ou analisam o caso, como o BC, o TCU (Tribunal de Contas da União), a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e a PF (Polícia Federal).

O GT, no entanto, não tem poderes de autoridade policial. Isso significa que o colegiado não pode determinar novas diligências, nem quebrar sigilos por conta própria, limitando-se a solicitar e analisar documentos e informações que já tenham sido produzidos no âmbito das investigações e fiscalizações em andamento.

O grupo começará a funcionar em um momento de questionamento sobre a atuação do Banco Central no caso, com a desconfiança de que a gestão de Roberto Campos Neto pode ter demorado a agir, apesar de sinais de problemas de liquidez e de fragilidade financeira da instituição.

A CNN noticiou que o BC abriu uma sindicância interna para apurar os procedimentos adotados na liquidação do Banco Master.

A sindicância busca esclarecer se o momento da intervenção e da liquidação foi adequado ou se medidas mais duras poderiam ter sido tomadas antes para reduzir riscos e prejuízos. Esse ponto deve estar no centro das discussões do grupo de trabalho da CAE, que pretende ouvir tanto ex-dirigentes quanto atuais responsáveis pela política de supervisão do sistema financeiro.

O diretor do BC Ailton Aquino também deverá ser ouvido. Aquino já prestou depoimento à Polícia Federal no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero, apontando detalhes sobre o caixa reduzido do Banco Master e sobre o conhecimento antecipado do BC em relação às inconsistências nas carteiras vendidas ao BRB.

Paralelamente à criação do GT, a CPMI do INSS, que investiga fraudes no sistema de benefícios previdenciários e também já convocou Daniel Vorcaro para depor, tem tentado prorrogar os trabalhos para aprofundar a apuração sobre o Master.

Na CPI do Crime Organizado, o relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), declarou à CNN que a atuação do Master apresenta indícios que “são típicos de crime organizado”, e que a comissão avaliará aspectos mais amplos do caso, incluindo eventuais relações com outros setores e Poderes da República.



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