Lideranças do setor privado já se mobilizam no Brasil e nos Estados Unidos para tentar convencer o USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) a reverter o novo tarifaço contra os produtos brasileiros, mas avaliam que o Palácio do Planalto e o Itamaraty precisam demonstrar maior disposição para negociar com a Casa Branca para que a medida seja derrubada.
Na tarde desta terça-feira (2), lideranças dos setores afetados, em especial da indústria, começaram a elaborar uma estratégia para tentar reverter a medida.
A ideia é promover uma mobilização setorial dentro do próprio calendário estabelecido pelo USTR, com o dia 22 de junho como data-limite para pedidos de participação na audiência, envio de comentários por escrito até o dia 1º de julho e participação na audiência pública no dia 6 de julho. O anúncio final está previsto para o dia 15 de julho.
Fontes ligadas ao setor privado afirmaram que as associações setoriais já estão se preparando para fazer essas manifestações, com maior ênfase na indústria brasileira, mais afetada do que o agronegócio pela decisão de hoje.
A aposta será mostrar ao USTR a essencialidade dos produtos brasileiros para o mercado doméstico americano e que eles atendem a três requisitos que o departamento comercial considera determinantes para decidir sobre uma taxação: a essencialidade para o mercado interno, a ausência de produção doméstica e a inexistência de produtos substitutos americanos.
O setor privado também aposta no impacto inflacionário que a medida pode ter para a economia americana.
Porém, nada disso será determinante se o governo brasileiro não se dispuser a negociar com os Estados Unidos, relatam negociadores do setor privado.
A leitura é a de que, por mais que haja argumentos técnicos para impedir o novo tarifaço, o que os Estados Unidos querem de fato é uma negociação ampla com o Brasil, que envolva, em especial, acordos sobre minerais críticos, flexibilização de regras para big techs, mudanças nas regras de propriedade intelectual e no Pix.
Assim, a percepção é de que há um corredor formal de negociação, mas é no campo informal — que não está sendo tratado pelo USTR — que a negociação de fato influenciará uma decisão final dos americanos.