O governo federal investiu o equivalente a 0,13% do PIB (Produto Interno Bruto) em infraestrutura de transporte em 2025. O cálculo considera os valores efetivamente pagos no ano passado e resulta do cruzamento de dados divulgados nesta terça-feira (3) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) com o Boletim de Conjuntura Econômica da CNT (Confederação Nacional do Transporte).

Segundo a CNT, o percentual mais que dobrou desde 2021, quando os investimentos federais em transportes representavam 0,06% do PIB. Essa recomposição acontece após anos de queda de investimentos e paralisação de obras, mas ainda está distante do patamar considerado ideal para manutenção, ampliação e modernização da infraestrutura logística do país.

Para a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, “a trajetória recente indica uma recomposição gradual dos investimentos federais em infraestrutura de transporte”. Ainda assim, ela ressalta que o volume atual é insuficiente. 

“O valor ainda é aquém das necessidades do país para manter a malha existente. Isso evidencia que o desafio estrutural permanece: é necessário consolidar um ciclo contínuo de investimentos, com previsibilidade orçamentária, execução eficiente e complementaridade com o capital privado, para reduzir gargalos logísticos, melhorar a qualidade da infraestrutura e sustentar o crescimento econômico no longo prazo”, afirmou ao CNN Infra.

Além da limitação orçamentária, outro obstáculo que o setor enfrenta é transformar os valores autorizados no Orçamento em obras efetivamente executadas.

Historicamente, parte significativa dos recursos previstos não se converte em investimentos realizados, o que auxilia no déficit de manutenção e restauração de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.

Para 2026, o orçamento de investimentos dos dois ministérios ligados ao setor soma R$ 13,9 bilhões. Desse total, R$ 13,4 bilhões são destinados ao Ministério dos Transportes e R$ 495 milhões ao Ministério de Portos e Aeroportos.

De acordo com o relatório de infraestrutura da CNI (Confederação Nacional da Indústria), a dotação autorizada total do Orçamento da União é de R$ 6,3 trilhões, dos quais R$ 78,1 bilhões correspondem a investimentos.

Orçamento de 2026

Em dezembro do ano passado, o relatório setorial de infraestrutura e minas e energia do Orçamento de 2026, elaborado pela CMO (Comissão Mista de Orçamento), apontou que o setor foi o que mais recebeu emendas parlamentares. Foram 30 emendas de bancadas estaduais destinadas a obras rodoviárias, somando R$ 756 milhões. 

Como as emendas de bancada e individuais são de execução obrigatória, e diante do calendário eleitoral de 2026, a expectativa é de que esses valores sejam empenhados de forma rápida. 

Apesar da melhora recente, especialistas avaliam que o país ainda enfrenta um descompasso estrutural entre o volume necessário para sustentar o crescimento econômico e o que efetivamente é investido pelo setor público.



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