O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT) se preparam para uma guerra de narrativas sobre a privatização da Sabesp.

O tema está no centro da estratégia do petista, que vê no acúmulo de reclamações contra a empresa um ponto vulnerável do adversário.

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) tem aparecido entre as primeiras do ranking de reclamações de consumidores ao Procon-SP após a privatização.

Quatro são os pontos sensíveis: problemas de falta d’água, contas altas, obras e dificuldade no atendimento ao público.

A pré-campanha de Tarcísio reuniu um arsenal de argumentos para rebater a ofensiva ponto a ponto durante a campanha.

A linha central do discurso do governador é que a Sabesp está pagando, agora, o preço do sucateamento da empresa.

O argumento é que a rede de distribuição de água e saneamento é muito velha e obsoleta, com 70 anos de existência.

Mudar e modernizar esse sistema seria o primeiro passo para reduzir o desperdício e consequentemente evitar problemas crônicos que possam exigir medidas drásticas usadas anteriormente, como rodízios.

A troca de hidrômetros antigos por aparelhos modernos têm identificado vazamentos internos, o que exige manutenção e causa transtornos.

Além do desconforto, essa troca pode elevar pontualmente a conta. Já o problema da falta d’água é explicado por uma medida de precaução chamada Gestão de Demanda Noturna (GDN). Ou seja: a redução da pressão durante a noite para garantir a resiliência hídrica, especialmente diante do fenômeno El Niño.

Desde 2014, o governo evitou medidas antipáticas com receios eleitorais e acabou no ano seguinte pagando um preço alto com a crise hídrica.

Já quando o serviço é colocado em debate, as fontes do governo dizem que Tarcísio defende a privatização como um “legado”, mas isso não significa que ele vai “blindar” a empresa. Pelo contrário.

A ideia é pressionar a Sabesp a corrigir erros e a participação acionária do governo garante que isso possa ser feito por dentro.

Mas a peça de resistência do governador sobre o tema é a universalização dos serviços, uma meta nunca atingida pelos tucanos em seus 28 anos de governo e que estaria em curso.



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