O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, marido da soldado Gisele Alves Santana, encontrada morta no apartamento do casal em fevereiro deste ano, foi condenado pela Justiça de São Paulo por abuso de autoridade contra uma subordinada da corporação em outubro de 2024.
Além da condenação, foi determinado o pagamento de uma indenização por danos morais no valor de R$ 5 mil.
De acordo com a decisão, a qual a CNN Brasil teve acesso, a colega de trabalho de Geraldo foi alvo de repetidas ações por parte do superior, em 2012, que teria abusado da posição de autoridade com para atingir sua autoestima, dignidade e autodeterminação, além de prejudicar o ambiente profissional.
O documento destaca ainda uma a tentativa do tenente-coronel (à época Major) em transferir a policial de unidade, a acusando falsamente de ter extraviado documentos. Para a Justiça, o conjunto de provas foi suficiente para demonstrar o assédio.
A própria administração pública acabou reforçando esse entendimento ao reconhecer, nos autos, que não houve falha no trabalho da autora e que houve repercussão dos fatos dentro da corporação.
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Por fim, a Justiça entendeu que é responsabilidade civil do Estado responder pelos atos de seus agentes. O caso avançou para a fase de pagamento em novembro de 2025.
A CNN Brasil entrou em contato com a defesa do tenente-coronel e aguarda retorno. O espaço segue aberto.
Oficial está afastado das funções
O tenente-coronel da PM de São Paulo Geraldo Leite Rosa Neto pediu afastamento de seu cargo na corporação após a morte de sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento do casal em fevereiro deste ano.
A informação foi confirmada por meio de nota da Secretaria de Segurança Pública enviada à CNN Brasil nesta terça-feira (3): “A Polícia Militar informa que o tenente-coronel encontra-se afastado de suas funções, a pedido”.
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Comportamento agressivo
Em denúncias realizadas contra o tenente-coronel Neto, em 2010 e 2012, e apresentadas pelo advogado da família, José Miguel da Silva Júnior, está um registro feito pela ex-esposa do oficial, uma dentista, que relata episódios de ameaças e comportamentos considerados agressivos durante o relacionamento há 16 anos atrás.
Além da denúncia da ex-mulher, Neto também possui a queixa de uma policial militar que o acusa de assédio no ambiente de trabalho, em 2012.
Os documentos foram anexados ao inquérito e, segundo a defesa da família da vítima, indicariam um histórico de comportamentos problemáticos atribuídos ao oficial.
Para autoridades, o tenente-coronel também foi descrito como alguém que proibia a soldado Gisele de usar batom, salto alto e perfume, além de exercer controle sobre suas redes sociais e exigir o cumprimento rigoroso de tarefas domésticas. Segundo os familiares de Gisele, ela e Geraldo viviam um relacionamento conturbado e abusivo.
*Sob supervisão de Tonny Aranha