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A Vale, maior mineradora do Brasil, assinou neste sábado (21) um MoU (memorando de entendimento) com a estatal indiana NMDC Limited e a Adani Gangavaram Port Limited para criar uma instalação em regime de zona econômica especial no Porto de Gangavaram, na Índia, destinada à blendagem e à venda de finos de minério de ferro.

O acordo prevê a cooperação entre as empresas para estruturar uma plataforma conjunta de processamento e comercialização de minério no país asiático.

O projeto tem valor estimado em cerca de US$ 500 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 2,6 bilhões.

Por se tratar de um memorando de entendimento, o acordo não é definitivo e estabelece apenas a intenção de cooperação entre as partes.

O MoU terá validade inicial de 12 meses, renovável por mais 12, período em que serão detalhados os aspectos técnicos e comerciais do projeto.

Pelos termos do memorando, a Vale fornecerá minério de ferro de alto teor, enquanto a NMDC será responsável pelo fornecimento de minério de baixo teor. A mistura dos materiais permitirá a produção de um blend com especificações comerciais adequadas ao mercado local, voltado principalmente ao atendimento das siderúrgicas indianas.

Já a Adani Gangavaram Port Limited será responsável pela infraestrutura portuária e pelas operações logísticas, incluindo a área de mistura, descarga e carregamento de minério, gestão do pátio, obtenção de licenças e execução do processo de blending conforme os requisitos técnicos definidos pelas empresas.

A iniciativa deve permitir padronizar a qualidade do produto destinado ao mercado indiano, reduzir custos logísticos e adaptar as características do minério às necessidades das siderúrgicas locais, fortalecendo a presença comercial da Vale em um dos mercados de aço que mais crescem no mundo.

Demanda de ferro na Índia

Como noticiado pela CNN, apesar da assinatura de acordos e da atenção recente em torno das terras raras, a prioridade prática das negociações entre Brasil e Índia no setor mineral tem sido a ampliação das vendas de minério de ferro e cobre ao mercado indiano.

As terras raras e outros minerais críticos, como o lítio, aparecem como temas relevantes nas conversas bilaterais e nos planos de cooperação de longo prazo, mas ainda envolvem cadeias industriais incipientes nos dois países e têm impacto comercial limitado no momento.

No curto prazo, porém, o impacto econômico e comercial do minério de ferro e do cobre brasileiros para a indústria indiana é significativamente maior. Manganês, níquel e nióbio, ligados à cadeia do aço, também estiveram entre os temas das conversas.

Em 2025, as exportações brasileiras de minério de ferro para a Índia saltaram de praticamente zero em 2024 para cerca de US$ 440 milhões, recorde histórico.

Em 2024, o país não havia realizado compras relevantes do produto, e o valor exportado em 2025 supera, sozinho, o total acumulado das vendas brasileiras ao mercado indiano entre 2017 e 2024. As exportações brasileiras de minério de ferro bateram recorde em 2025 e ultrapassaram, pela primeira vez, a marca de 400 milhões de toneladas embarcadas.

O aumento da demanda indiana está ligado à expansão acelerada da indústria siderúrgica do país, que tem ampliado a produção de aço para atender ao crescimento da infraestrutura, da construção civil e do setor industrial.

Além disso, políticas do governo indiano voltadas à urbanização, obras públicas e transição energética têm elevado o consumo de aço, impulsionando a demanda por minério de ferro de maior qualidade.

Neste sábado (21), o Ministério do Aço da Índia e o MME (Ministério de Minas e Energia) assinaram um memorando de entendimento para ampliar a cooperação na área de mineração e no fornecimento de minerais necessários à produção de aço.



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