O valor de mercado das empresas listadas na B3 praticamente voltou à estaca zero em 2026. Após uma forte recuperação no início do ano, as companhias negociadas na bolsa brasileira perderam R$ 731 bilhões em valor de mercado desde o pico registrado em fevereiro, devolvendo quase integralmente os ganhos acumulados nos primeiros meses do ano.
Levantamento da Elos Ayta, com base em 302 empresas com informações disponíveis em todas as datas analisadas, mostra que a capitalização de mercado consolidada alcançou R$ 4,717 trilhões em 18 de junho. O montante é praticamente igual aos R$ 4,709 trilhões observados no encerramento de 2025.
Entre dezembro e fevereiro, o cenário era bastante diferente. Impulsionadas pela recuperação do mercado acionário brasileiro, as empresas da amostra adicionaram R$ 739 bilhões em valor de mercado, levando a capitalização consolidada ao recorde de R$ 5,447 trilhões no fechamento de fevereiro.
A partir desse patamar, contudo, o movimento se inverteu. Nos meses seguintes, a bolsa passou por um processo contínuo de ajuste, que resultou em quatro meses consecutivos de redução do valor de mercado agregado das companhias. Com isso, praticamente toda a valorização registrada no primeiro bimestre foi eliminada ao longo do segundo trimestre.
Os números mostram uma dinâmica de “ida e volta” do mercado acionário brasileiro em 2026. Depois de atingir o maior nível da série em fevereiro, a capitalização das empresas retornou ao patamar observado no fim do ano passado, indicando que o otimismo que marcou o início do ano perdeu força nos meses subsequentes.
Efeito da Bradesco Saúde
A análise também identificou uma distorção provocada por um evento societário específico envolvendo a Bradesco Saúde (SAUD3). A companhia registrou uma forte expansão do valor de mercado em decorrência da incorporação de sua operação pela controladora, movimento que elevou temporariamente sua capitalização.
Para eliminar esse efeito extraordinário, a Elos Ayta realizou um cálculo adicional sem considerar a empresa. Nesse cenário, envolvendo 301 companhias, o valor de mercado consolidado caiu de R$ 4,703 trilhões em dezembro de 2025 para R$ 4,679 trilhões em 18 de junho deste ano.
O resultado indica que, sem o impacto pontual da reorganização societária da Bradesco Saúde, o mercado acionário brasileiro não apenas devolveu os ganhos acumulados no início de 2026, como passou a apresentar uma capitalização inferior à registrada no encerramento do ano passado.
Segundo a Elos Ayta, os dados reforçam a perda de fôlego da recuperação observada no primeiro bimestre. Em termos agregados, o mercado brasileiro encerrou o período praticamente no mesmo nível de valor de mercado do fim de 2025, evidenciando que a valorização registrada no início do ano não se sustentou ao longo do segundo trimestre.