O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse à CNN que as garantias de segurança — especialmente a questão de como os aliados ucranianos reagiriam se a Rússia invadisse a Ucrânia novamente no futuro — continuam sendo um ponto de discórdia nas negociações sobre um acordo de paz.

A invasão da Rússia à Ucrânia completa seu quarto aniversário nesta terça-feira (24). Até o momento, as negociações de paz trilaterais envolvendo ucranianos, russos e os Estados Unidos ainda não levaram a avanços.

Zelensky afirmou que continua ouvindo que a Rússia simplesmente não iniciaria outra guerra após um acordo de paz. “Essa não é a resposta para mim. Sinto muito”, disse.

“Temos coisas boas nessas garantias de segurança, é verdade”, disse Zelensky sobre as promessas atualmente em discussão. “Mas eu quero uma resposta muito específica: o que nossos parceiros estarão dispostos a fazer se Putin (Vladimir Putin, presidente russo) voltar? É isso que os ucranianos querem ouvir”, afirmou.

Há também divergências sobre a sequência de passos rumo à paz, segundo o líder ucraniano.

O presidente dos EUA, Donald Trump, quer que Zelensky assine um acordo de paz com a Rússia e, ao mesmo tempo, um acordo com os Estados Unidos e as nações europeias que conceda à Ucrânia suas garantias de segurança, idealmente em uma grande cerimônia que marque o fim da guerra.

Mas Zelensky insiste que as garantias de segurança devem ser acordadas e ratificadas primeiro pelo Congresso dos EUA. Zelensky disse que isso daria ao povo ucraniano a confiança de que poderiam contar com seus aliados no futuro — porque já teriam sido decepcionados muitas vezes no passado.

Em entrevista direto do Palácio Presidencial, em Kiev, na véspera do aniversário do conflito, Zelensky disse que há uma exaustão entre os ucranianos em relação à guerra, mas que ceder às exigências de Putin não é uma opção.

“Não podemos simplesmente dar a ele tudo o que ele quer, porque ele quer nos ocupar. Se dermos a ele tudo o que ele quer, perderemos tudo — todos teremos que fugir ou nos tornarmos russos”, declarou.

Zelensky também frisou à CNN que a Ucrânia está disposta a congelar a guerra nas atuais linhas de frente, mas ponderou que as forças armadas ucranianas não se retirarão das áreas da região leste de Donetsk que ainda estão sob seu controle.

A Rússia exige que a Ucrânia renuncie aos cerca de 20% territoriais que ainda estão sob o controle de Kiev, incluindo o “Cinturão da Fortaleza”, com cidades industriais, ferrovias e estradas que formam a espinha dorsal da defesa da Ucrânia e abastecem a linha de frente.

“A Rússia quer apenas que retiremos nosso exército. Não podemos ser tão — desculpem — tolos. Não somos crianças. Passamos por esta guerra, durante todos esses anos, e por isso não podemos simplesmente entregar o país a eles de bandeja”, disse Zelensky.

“Para as pessoas que vivem lá, é muito importante a segurança que terão. 200 mil pessoas vivem lá”, disse Zelensky. “O que eu tenho a dizer a elas e o que nossos soldados têm a dizer? ‘Ok, tchau. Vamos embora. Vocês são russos a partir deste momento’?”, indagou.

Zelensky espera que o presidente dos EUA, Donald Trump, em seu discurso sobre o Estado da União na terça-feira (14), apoie a Ucrânia na guerra contra a Rússia de Vladimir Putin.

“Eles têm que ficar ao lado de um país democrático que está lutando contra uma pessoa. Porque essa pessoa é uma guerra. Putin é uma guerra (sic). Tudo gira em torno dele. Tudo gira em torno de uma pessoa. E o país, todo o país dele, está na prisão”, disse Zelensky à CNN.

“Se eles realmente querem parar Putin, os Estados Unidos são muito fortes”, disse Zelensky. Questionado se acredita que Trump está pressionando o líder russo o suficiente, o ucraniano respondeu: “não”.



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