A Secretaria de Comunicação Social (Secom) do governo federal testou, nos últimos dias, uma nova estratégia para lidar com a crise do Master.

A ideia de enfrentar o tema enquanto as investigações acontecem quer deixar marcado na cabeça do eleitor o que o governo tem atuado para combater a corrupção do Master.

A estratégia incluiu a convocação de uma coletiva de imprensa com o ministro da Justiça, Wellington César e Lima, na quinta-feira (16), ao lado de delegados da Polícia Federal, para apresentar explicações sobre a prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

Interlocutores do Planalto admitem que o esclarecimento faz parte de um esforço maior do governo para se antecipar às repercussões sobre o caso, diante do desgaste provocado pelo assunto.

A reação vem, sobretudo, após pesquisas indicarem que a maioria da população relaciona a corrupção do Master ao governo e ao Supremo, eximindo em menor parcela de culpa o centrão, apesar da relação de muitos políticos dessa seara com Daniel Vorcaro.

Segundo pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, 39,5% dos brasileiros veem aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como os mais envolvidos com o escândalo do Banco Master.

A CNN Brasil mostrou que Lula cobrou uma reação rápida de aliados e da pré-campanha, sob orientação de conter danos e reposicionar a narrativa antes que o tema “corrupção” se consolide como eixo central do debate eleitoral.

Nos bastidores, a campanha deve intensificar ataques ao senador Flávio Bolsonaro (PL), com objetivo de desconstruí-lo como figura moderada e estabelecendo um comparativo com o governo passado.

A estratégia segue a linha de declarações recentes do próprio presidente. Por exemplo, em discursos recentes, Lula menciona que o “ovo da serpente” do Master apareceu durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), sob o comando do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto.

O movimento, no entanto, divide a estratégia política do presidente Lula. A avaliação de dirigentes petistas é que, ao dar visibilidade ao caso Master, o governo corre o risco de amplificar um assunto sem conhecimento ainda sobre a dimensão dele. Aliados recordam que a delação de Daniel Vorcaro está em curso e promete atingir peixes grandes da política.

Soma-se ao receio do desconhecido, a reação de adversários que já voltaram a citar episódios como o mensalão e a Lava-Jato, tentando reavivar a associação entre corrupção e governos petistas.



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