A pré-campanha à Presidência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atua no Brasil e nos Estados Unidos para tentar conter possíveis impactos à imagem do parlamentar em razão do tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros.
Nos últimos dias, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o empresário Paulo Figueiredo têm se reunido com integrantes da Casa Branca e do Departamento de Estado na tentativa de tirar a “culpa” da medida de Flávio.
Nos encontros, ambos têm argumentado que, se de fato os EUA aplicarem a taxa extra de 25% em 15 de julho, a medida poderia prejudicar a candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto, tendo um impacto direto na direita do país.
Como mostrou a CNN, Flávio Bolsonaro se inscreveu para discursar em uma audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) sobre a proposta de aplicação de tarifas de 25% aos produtos brasileiros. A audiência está prevista para o dia 6 de julho, em Washington.
De acordo com fontes da pré-campanha de Flávio, o melhor cenário seria que a atuação do senador pudesse demover os EUA de promover tarifaço contra o Brasil, além da possibilidade de o governo norte-americano atribuir o recuo a Flávio.
Nesse sentido, Eduardo e Figueiredo também têm alegado que as taxas extras poderão favorecer até mesmo a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em julho do ano passado, Trump enviou ao Brasil uma carta anunciando a taxação de 50% sobre produtos brasileiros e dizendo que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na trama golpista era uma “caça às bruxas” e que deveria acabar “imediatamente”.
Em parte, a medida foi atribuída às articulações de Eduardo junto ao governo americano para a imposição de sanções contra autoridades brasileiras.
Na semana passada, a Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) condenou, por unanimidade, o ex-deputado federal pelo crime de coação no curso do processo por entender que Eduardo atuou junto a autoridades dos Estados Unidos para pressionar integrantes da Corte e tentar interferir nos processos relacionados à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, com o objetivo de beneficiar Jair Bolsonaro.