O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante sua recente viagem à Alemanha, afirmou que o Brasil pode se transformar na “Arábia Saudita dos biocombustíveis”, sinalizando uma ambição estratégica em um momento de inflexão do sistema energético global. A declaração ocorre em um contexto de possível revés para o setor brasileiro de biocombustíveis na Europa, onde uma proposta em discussão pela União Europeia pode restringir o uso de biodiesel de palma e soja para fins de cumprimento de cota de energia renovável.

Segundo o analista Pedro Côrtes, ao CNN Novo Dia, para alcançar esse protagonismo global, o Brasil precisaria aumentar significativamente sua produção, especialmente de etanol.

“Hoje nós temos cerca de 27% da produção mundial. Os Estados Unidos conseguem ter uma produção maior que a nossa”, explicou Côrtes. Ele destacou que o país ainda está longe de ter o protagonismo necessário em termos de volume de produção para se equiparar ao papel da Arábia Saudita no mercado de petróleo.

Desafios para expansão do setor

O analista ressaltou que o desafio brasileiro não se limita apenas ao aumento da produção, mas também à inserção nos mercados internacionais. “Essa proteção europeia não é contra o nosso etanol, é contra o nosso biodiesel. E é algo que tem que ser negociado porque a gente precisa desse mercado internacional até mesmo para alavancar a produção aqui dentro”, afirmou Côrtes.

Outro obstáculo destacado por Pedro Côrtes é o custo comparativo do biodiesel em relação ao diesel convencional. “O biodiesel, em uma situação normal, é um produto caro comparativamente ao diesel refinado”, explicou.

Segundo o especialista, o aumento da produção e das exportações ajudaria o Brasil a alcançar uma escala maior, o que poderia reduzir o preço do biodiesel em comparação ao diesel convencional, facilitando inclusive a ampliação da mistura do biodiesel no diesel brasileiro.

Côrtes também mencionou que o Brasil possui iniciativas interessantes na produção de biodiesel quimicamente igual ao diesel refinado, mas obtido a partir de fontes renováveis. No entanto, essa é uma aposta para as próximas décadas.

Para superar possíveis barreiras comerciais, o especialista destacou a importância da certificação do biodiesel brasileiro, comprovando que não é proveniente de áreas de desmatamento ou que infringiram a legislação ambiental, evitando assim o protecionismo que pode prejudicar as exportações brasileiras.



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