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A prévia da inflação oficial de junho desacelerou para 0,41%, após registrar 0,62% em maio, segundo o IPCA-15 divulgado pelo IBGE nesta quinta-feira (25).

Apesar do alívio no indicador, o colunista do CNN Money Gesner Oliveira avalia que o cenário doméstico permanece repleto de ambiguidades e, do ponto de vista técnico, não há espaço para novos cortes na taxa básica de juros.

Economia desafia a política monetária

Ao analisar o Relatório de Política Monetária do BC (Banco Central), o IPCA-15, o comunicado e a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), Oliveira afirmou que a economia brasileira apresenta um comportamento difícil de explicar.

Segundo ele, mesmo após vários meses com uma das maiores taxas reais de juros do mundo, a atividade econômica segue resiliente.

“A economia está lançando um desafio”, afirmou, destacando que o mercado de trabalho continua aquecido e que o Índice Nacional de Custo da Construção registrou inflação superior a 7% no componente mão de obra em apenas dois meses.

Para o economista, esse cenário levanta dúvidas sobre a condução recente da política monetária. Com a inflação acima da meta, expectativas inflacionárias elevadas e projeções em alta, ele considera que a redução da taxa de juros promovida pelo BC exige explicações adicionais.

Oliveira apontou algumas hipóteses para esse comportamento, como a influência do ciclo político, uma eventual maior interferência política na autoridade monetária, os estímulos fiscais e creditícios do governo à demanda agregada, a avaliação de que o choque externo seria temporário e as dificuldades financeiras enfrentadas por setores como a indústria e o agronegócio.

Juros neutros podem ser mais altos

O colunista também citou um modelo desenvolvido pela Goa Associados, elaborado pelo economista Rafael Prado, segundo o qual a taxa de juros neutra — aquela compatível com o equilíbrio da economia — estaria próxima de 10%, bem acima da estimativa utilizada pelo BC, entre 5% e 6%.

“Se o nosso modelo está correto, estamos diante de uma situação em que ou haverá um ajuste fiscal muito mais profundo ou teremos que conviver com juros estruturalmente mais elevados”, afirmou.

Sem espaço para novos cortes

Questionado sobre a possibilidade de uma nova redução da Selic na reunião de agosto do Copom, Oliveira foi categórico ao afirmar que não vê espaço para esse movimento.

Segundo ele, a avaliação se baseia no atual balanço de riscos e nas projeções de inflação para 2027 e para o primeiro trimestre de 2028. Embora reconheça que juros elevados prejudicam o investimento e a atividade econômica, o economista argumenta que o principal desafio continua sendo a construção de uma política fiscal mais consistente e previsível, capaz de tornar a política monetária mais eficaz.

No cenário externo, Oliveira observa que a queda recente dos preços internacionais do petróleo tende a aliviar parte das pressões inflacionárias. Ainda assim, avalia que os indicadores domésticos permanecem contraditórios, combinando sinais de desaceleração com pressões persistentes, especialmente na inflação de serviços e nos núcleos de inflação.

Diante desse quadro, o colunista defende que o BC mantenha uma postura cautelosa, evitando sinalizações antecipadas sobre os próximos passos da Selic e tomando suas decisões com base na evolução dos indicadores econômicos.



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