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O Brasil continua enfrentando dificuldades para elevar sua produtividade, um dos principais fatores associados ao crescimento sustentável da economia.

Dados divulgados pela FGV Ibre (nstituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) mostram que a produtividade medida pelas horas efetivamente trabalhadas recuou 0,5% no primeiro trimestre de 2026, em relação ao mesmo período do ano anterior.

Já os indicadores baseados em horas habitualmente trabalhadas e por população ocupada registraram avanços modestos de 0,5% e 0,4%, respectivamente. Esse desempenho reforça preocupações do setor produtivo sobre a capacidade de crescimento da economia brasileira.

Em entrevista ao CNN Money, o colunista do canal Gilvan Bueno avaliou que o crescimento recente do PIB (Produto Interno Bruto) não tem sido sustentado por ganhos de produtividade.

Segundo o especialista, a expansão da atividade econômica continua fortemente dependente das commodities e de medidas de estímulo pontuais, como programas de trasnferência de renda, liberações de recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e incentivos fiscais.

“O Brasil tem um PIB que cresce, mas não por uma força produtiva”, afirmou.

Para Bueno, a própria estrutura econômica do país contribui para esse cenário, em que, atualmente, cerca de 70% do PIB do país é composto pelo setor de serviços, seguido pela pecuária, com cerca de 25%, e 5% da indústria.

Na avaliação do colunista, a baixa competitividade nacional decorre de problemas estruturais relacionados à educação, ao sistema tributário, ao acesso ao crédito e ao ambiente de negócios.

Medidas como o Move Brasil, que fomentam o setor produtivo, tem potencial para reduzir custos e ampliar a capacidade de trabalho da categoria, de acordo com Luccas Saqueto, economista da GO Associados.

“Muitos motoristas dependem do aluguel de veículos, o que reduz significativamente a renda. Nesse sentido, a linha de crédito favorece a categoria e reduz custos”, afirmou.

Saqueto ressalta, porém, que o cenário macroeconômico permanece desafiador. A taxa básica de juros continua elevada e o Banco Central não sinalizou novos cortes no curto prazo. Além disso, o alto grau de endividamento das famílias limita a capacidade de expansão do crédito.

Na visão do economista, o diferencial do programa é que ele não incentiva diretamente o consumo, mas o acesso a um instrumento de trabalho. Ainda assim, ele recomenda que os profissionais avaliem cuidadosamente sua situação financeira antes de assumir novos financiamentos.

Ao abordar os obstáculos ao aumento da produtividade, Saqueto apontou a insuficiência de investimentos em infraestrutura e a falta de segurança jurídica como fatores centrais.

“Falta uma visão de longo prazo sobre a importância de investir em infraestrutura e em setores estratégicos para o aumento da produtividade”, avaliou.



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