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O BC (Banco Central) divulgou nesta quinta-feira (25) o Relatório de Política Monetária e, na sequência, o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, concedeu uma coletiva de imprensa que era aguardada pelo mercado após os ruídos gerados pelo comunicado e pela ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária).

Durante a coletiva, Galípolo reconheceu que o excesso de explicações pode ter tornado o comunicado confuso. Ele também afirmou que divergências de interpretação sobre a condução da política monetária são naturais e que não cabe ao Banco Central produzir consenso entre os agentes de mercado.

BC esclareceu a mensagem, diz economista

Em entrevista ao CNN Money, o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, a coletiva cumpriu o papel de esclarecer a comunicação da autoridade monetária.

“O Banco Central trocou a mensagem e foi muito mais claro ao explicar que o polêmico parágrafo fazia referência ao choque de oferta”, afirmou.

Segundo Sanchez, a fala de Galípolo deixou claro que o trecho do comunicado foi, “no mínimo, mal escrito”, mas afastou qualquer interpretação de ingerência na condução da política monetária. O economista também destacou que o horizonte de análise do Banco Central mudará na próxima reunião do Copom, passando do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028.

Embora considere incomum esse tipo de falha, Sanchez ponderou que erros de comunicação podem ocorrer. “O comunicado é uma publicação bastante sintética e, por isso, suscetível a equívocos. O Banco Central é formado por seres humanos e pode cometer erros”, disse.

Na avaliação dele, o contexto atual exigia uma comunicação mais precisa, o que contribuiu para as interpretações divergentes. Sobre a afirmação de Galípolo de que a autoridade monetária não precisa gerar consenso, Sanchez observou que o ideal seria uma comunicação suficientemente clara para que o mercado convergisse naturalmente para a leitura pretendida pelo BC.

BC eleva projeção para o PIB

O Relatório de Política Monetária também elevou a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026, de 1,6% para 2%.

Para Sanchez, a revisão já era esperada. “Nós já trabalhávamos com uma projeção de 2% na Ativa e mantivemos essa estimativa”, afirmou.

Segundo o economista, a principal mudança ocorreu nas expectativas para o consumo das famílias, impulsionado por medidas como a renegociação de dívidas e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil.

Ele acrescentou que outras medidas de estímulo ainda não incorporadas pelo Banco Central podem levar a novas revisões.

Ao comentar a diferença entre a projeção do Banco Central e a do Ministério da Fazenda, que estima crescimento de 2,3% em 2026, Sanchez afirmou que essa divergência é comum. Segundo ele, a equipe econômica costuma adotar um cenário mais otimista, enquanto o Banco Central considera de forma mais intensa os riscos fiscais.

Sobre os próximos passos da taxa Selic, o economista afirmou que as decisões continuarão condicionadas à evolução dos indicadores econômicos. Ele destacou que o cenário externo melhorou desde a última reunião do Copom, citando a queda do preço do petróleo Brent, de US$ 87 para cerca de US$ 75 por barril, fator que, em sua avaliação, favorece a continuidade do processo de afrouxamento monetário.



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