O Ibovespa atingiu 192 mil pontos durante esta quarta-feira (25), registrando mais um recorde histórico intradia, impulsionado principalmente pelo forte fluxo de investimentos estrangeiros direcionados para ações de Petrobras, Vale e grandes bancos brasileiros.
Rita Mundim, colunista do CNN Money, explica que o cenário externo mais tranquilo, com um dólar enfraquecido e a percepção de que Donald Trump estará mais regulado pela Suprema Corte americana, tem contribuído para o bom momento da bolsa brasileira.
“Hoje temos um mercado lá fora mais tranquilo. O Trump fez o discurso mais longo da história do State of Union, mas não falou nada da China e só ressaltou as suas qualidades na condução da política econômica americana“, comentou.
Dados divulgados pela B3 mostram que os papéis mais negociados em janeiro pelos investidores não-residentes foram justamente Vale, Petrobras e Itaú, confirmando o que Mundim chama de “trinca” que atrai capital externo.
“São esses papéis que têm recebido mais o fluxo, principalmente dos estrangeiros”, destacou.
O real fortalecido é outro destaque do cenário atual, com o dólar operando na faixa de R$ 5,13. Segundo a analista, essa valorização da moeda brasileira não se deve necessariamente à condução da economia nacional, mas sim à fraqueza do dólar americano em escala global.
“Os países emergentes estão vivendo esse bônus do Trump, esse presente do Trump de início do ano, onde todo mundo está vendendo a América e procurando outros mercados como alternativa de investimento”, explicou Mundim.
O governo central registrou superávit em janeiro, conforme dados divulgados recentemente. No entanto, Mundim alerta para o desequilíbrio entre o crescimento das despesas e das receitas.
Entre as despesas que mais cresceram, destacam-se os gastos com pessoal e os gastos previdenciários. Para a colunista, esse é o problema estrutural que precisa ser enfrentado para garantir a estabilidade econômica do país.
“Enquanto não mexermos no problema estrutural, no equilíbrio das contas públicas, de preferência a geração de superávit, a gente não vai resolver o problema do Brasil”, concluiu.