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Treze celulares roubados ou furtados no estado de São Paulo foram recuperados no Rio Grande do Sul e devolvidos aos proprietários nesta sexta-feira (26), em uma ação conjunta das Polícias Civis paulista e gaúcha.

Os aparelhos haviam sido levados de vítimas em diferentes cidades paulistas e, após serem habilitados em novas linhas telefônicas no Rio Grande do Sul, foram identificados pelo sistema de monitoramento da Polícia Civil de São Paulo.

Com o compartilhamento das informações, equipes gaúchas localizaram os celulares e possibilitaram a devolução aos donos.

Entre as vítimas que tiveram o aparelho devolvido, está Fábio Antunes, de 42 anos, que teve o celular roubado há cerca de um ano enquanto aguardava em um semáforo nas proximidades do Autódromo de Interlagos, na zona sul da capital paulista.

Quando a polícia me ligou dizendo que tinha recuperado meu celular, achei que era trote

Fábio Antunes, vítima de furto

Mesmo após registrar boletim de ocorrência, ele não acreditava que voltaria a ver o aparelho e relembrou que ainda pagava o celular quando foi roubado.

A analista Isabela de Souza, de 26 anos, também recebeu o celular de volta. Ela foi vítima de furto durante um rodeio em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, quando o aparelho estava no bolso fechado da blusa do namorado, mas foi levado sem que o casal percebesse.

Além do prejuízo com o furto, os suspeitos ainda fizeram compras de cerca de R$ 1 mil utilizando o cartão vinculado ao celular de Isabela. “Nem imaginava mais que esse celular existia. Não acreditava que pudesse recuperar”, afirmou a analista.

Entenda programa de monitoramento de celulares roubados e furtados

Segundo o delegado Rodolfo Latiff Sebba, coordenador do programa SP Mobile, o programa monitora celulares com registro de furto ou roubo que voltam a ser utilizados em novas linhas telefônicas. O cruzamento dessas informações permitiu identificar aparelhos subtraídos em São Paulo sendo usados no Rio Grande do Sul.

“Existe a percepção de que muitos celulares furtados ou roubados em São Paulo ultrapassam as fronteiras do estado. Estamos identificando essa movimentação para entender como esses aparelhos chegam a outros estados e combater essa cadeia criminosa”, explicou o delegado.

Leia também: Homem é preso com 21 celulares furtados no Centro de SP

Após a identificação, a Polícia Civil de São Paulo compartilha os dados com as polícias dos estados onde os aparelhos são encontrados.

A secretária-adjunta da Segurança Pública do Rio Grande do Sul, delegada Adriana Regina da Costa, afirmou que a parceria entre os estados começou no fim do ano passado.

Desde a criação do programa, mais de 28 mil celulares já foram recuperados pela Polícia Civil de São Paulo, dos quais 9,4 mil foram restituídos aos proprietários.

A Polícia Civil orienta que vítimas de furto, roubo ou perda informem o número do IMEI – código único de identificação do aparelho – ao registrar o boletim de ocorrência. O dado é considerado essencial para o rastreamento e a comprovação da propriedade do celular.

Criminosos divulgam dados

O estado de São Paulo registrou, até março de 2026, uma média de 109.836 roubos e furtos, cerca de 40 por hora, ou 960 por dia, segundo levantamento da SSP (Secretaria de Segurança Pública).

Parte desses crimes, principalmente ligados a celulares, são exibidos nas redes sociais pelos próprios suspeitos, que transformaram as plataformas digitais em uma “vitrines” de crimes, onde os objetos se tornam “troféus”.

O levantamento da Itatiaia em parceria com a CNN Brasil identificou diversos perfis que publicam conteúdos ligados à ostentação do crime. Entre as postagens, há vídeos que mostram suspeitos cometendo roubos e furtos, como o de celulares e correntes, com registros que chegam ate 100 mil visualizações.

As imagens indicam um “modus operandi” dos suspeitos, com gravações que mostram que, por diversas vezes, enquanto um dos envolvidos grava, outro que está geralmente de bicicleta, realiza o ataque. Em algumas publicações, aparecem também os chamados “quebra-vidros”, que esmurram janelas de carros para roubar objetos.

Entenda: Influencers do crime: suspeitos publicam roubos como “troféus” nas redes

Com frases como “Terror da madrugada é nós, seus modinhas” e “Moscou, nós levou”, os suspeitos utilizam também a internet para ‘zombar’ das vítimas. Veja:


Em nota, a SSP informou que, até o momento, não localizou boletins de ocorrência relacionados diretamente aos perfis citados e reforçou que denúncias devem ser encaminhadas às autoridades: “A colaboração da população é essencial para o enfrentamento qualificado da criminalidade”, afirmou.

Procurada, a Meta, responsável por plataformas como Facebook e Instagram, declarou que não permite o uso de seus serviços para promover atividades criminosas.

Secretaria de Segurança Pública

“A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo orienta que eventuais crimes divulgados em redes sociais sejam formalmente comunicados às autoridades para a devida apuração. Até o momento, não foram localizados registros de boletins de ocorrência diretamente relacionados aos perfis mencionados. A SSP reforça que o registro pode ser feito nas unidades policiais ou por meio da Delegacia Eletrônica, sendo fundamental para subsidiar investigações e responsabilizar os envolvidos. Denúncias também podem ser realizadas de forma anônima pelo Disque 181. A colaboração da população é essencial para o enfrentamento qualificado da criminalidade”.

Meta

“As políticas da Meta não permitem o uso de seus serviços para promover atividades criminosas ou conteúdos que glorifiquem, apoiem ou representem organizações e indivíduos perigosos. Removemos esse tipo de conteúdo sempre que identificamos violações e estamos continuamente aprimorando nossa tecnologia e treinando nossas equipes para detectar e lidar com atividades suspeitas. Incentivamos, ainda, as pessoas a denunciarem qualquer conteúdo que considerem contrário aos nossos Padrões da Comunidade, ajudando-nos a manter nossas plataformas seguras para todos. Além disso, trabalhamos com autoridades e respondemos a solicitações legais, colaborando com forças de segurança nos termos da legislação aplicável”.



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