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O escândalo financeiro envolvendo o Banco Master acabou empurrando para segundo plano uma decisão relevante dentro do Banco Central: a definição dos nomes para duas diretorias estratégicas da instituição — Política Econômica e Organização do Sistema Financeiro e de Resolução.

As duas vagas estão abertas desde o fim do ano passado. Desde então, as funções vêm sendo acumuladas interinamente por outros diretores da autarquia.

Em circunstâncias normais, a demora na definição dos candidatos já seria um ponto de atenção. Mas o momento está longe de ser trivial.

De um lado, o Banco Central conduz uma das maiores intervenções bancárias da história recente do país, com o caso do Banco Master. De outro, o cenário macroeconômico global se tornou mais incerto nas últimas semanas, com a escalada do conflito no Oriente Médio e a disparada do preço do petróleo, tornando ainda mais sensíveis as próximas decisões do Copom (Comitê de Política Monetária).

Nesse contexto, as duas diretorias em aberto assumem um peso ainda maior.

A diretoria de Política Econômica é responsável por coordenar os cenários e projeções que embasam as decisões do Copom. São esses estudos que ajudam a calibrar a trajetória da taxa de juros, avaliar riscos inflacionários e medir os impactos de choques externos sobre a economia brasileira.

Para essa vaga, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a sugerir o nome de Guilherme Mello, atual secretário de Política Econômica do próprio ministério.

Segundo fontes ouvidas pela CNN, porém, a indicação não avançou. O nome de Mello enfrenta resistência tanto entre participantes do mercado financeiro quanto dentro do próprio Banco Central, inclusive por parte do presidente da instituição, Gabriel Galípolo.

A outra cadeira vaga — a diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução — ganhou ainda mais visibilidade nos últimos meses por causa da crise do Banco Master.

Foi justamente dessa área que partiu a decisão de intervir na instituição financeira. O então diretor responsável, Renato Gomes, barrou a venda do banco e decretou sua liquidação, uma medida que acabou desencadeando uma sequência de ataques políticos e institucionais à atuação do Banco Central.

Tradicionalmente vista como um cargo técnico e discreto, a diretoria responsável pela supervisão e resolução de instituições financeiras acabou se tornando um posto particularmente sensível neste momento.

Nos bastidores, a avaliação é que o ambiente político turbulento tornou mais difícil atrair nomes de peso para a função.

Um nome defendido pelo mercado – e já levado como sugestão a Gabriel Galípolo – é o de Carolina Bohrer, atual chefe do Departamento de Organização do Sistema Financeiro. Ela foi vista como peça fundamental no processo que culminou na intervenção do banco de Daniel Vorcaro.

Enquanto a decisão é adiada, o relógio político começa a pressionar o governo.

Com a proximidade do início oficial da campanha eleitoral, o espaço para novas indicações tende a ficar mais restrito. Isso porque a nomeação de diretores do Banco Central depende de indicação presidencial e aprovação do Senado — um processo que exige articulação política e tempo no calendário legislativo.

Por enquanto, técnicos do Banco Central seguem mapeando possíveis candidatos. Mas a decisão final caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Até agora, porém, o Palácio do Planalto não deu sinais claros sobre quais critérios — ou prioridades — vão orientar essas escolhas.



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