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A Fictor Holding Financeira entrou com pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo, após enfrentar uma crise de liquidez que se agravou quando seu nome foi associado ao Banco Master, instituição que sofreu liquidação extrajudicial recentemente.

De acordo com Rita Mundim, colunista do CNN Money, o Grupo Fictor, fundado em 2007 e tendo como principal acionista Rafael Góes, alega ter sofrido um “ataque negativo da imprensa” que teria prejudicado suas operações. A holding controla diversas empresas em diferentes setores, incluindo energia, imobiliário, alimentos, agronegócio e serviços financeiros.

“O sistema financeiro se comunica muito, então são os contágios”, explica Mundim. Segundo ela, desde que a Fictor foi associada ao Master, a empresa que vinha recebendo aportes de quase 4 bilhões até novembro do ano passado passou a enfrentar questionamentos sobre seu funcionamento e sofreu forte pressão com um volume grande de retiradas de investidores.

A situação se agravou quando a Justiça de São Paulo, através de uma medida cautelar, bloqueou 150 milhões do grupo. Como reflexo da crise, a Fictor Alimentos, empresa do grupo negociada em bolsa, registrou queda após o anúncio da recuperação judicial, acumulando desvalorização de 66% em 2026 e 78% em um ano.

Fiscalização do mercado financeiro precisa ser repensada

A colunista também abordou a questão da fiscalização do mercado financeiro brasileiro. Segundo Mundim, é necessário repensar as estruturas fiscalizadoras, especialmente diante da explosão na criação de fundos de investimento no país.

“Está na hora de repensarmos as nossas estruturas fiscalizadoras, principalmente com essa explosão da criação de fundos”, afirmou. Ela destacou que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) enfrenta limitações significativas, contando com apenas cerca de 70 funcionários para realizar toda a fiscalização do mercado.

Mundim defendeu maior investimento nos órgãos reguladores, principalmente na CVM, que estaria “estrangulada para fiscalizar tanta coisa“. Ela mencionou que durante a crise do Banco Master, já havia sido identificada uma dificuldade de comunicação entre o Banco Central e a CVM, com esta última alegando excesso de demandas em tempo curto.

“É necessário, sim, mais investimento, mais qualificação, se a gente quiser manter o nosso sistema financeiro sólido”, concluiu a colunista.



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