A viagem do chanceler brasileiro, Mauro Vieira, ao Chile para a posse do novo presidente do país, José Antonio Kast, pode abrir espaço para o diálogo entre Brasil e Estados Unidos sobre o tratamento dado a facções criminosas que atuam na América do Sul.

O tema ganhou força após a sinalização de Washington em avaliar classificar organizações como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como grupos terroristas.

A discussão ganhou novo impulso no último fim de semana, quando o governo de Donald Trump anunciou a formação de uma coalizão contra o que classificou como “cartéis de drogas” durante a cúpula “Escudo das Américas”.

O encontro reuniu representantes de cerca de 12 países. Entre eles, Argentina, Paraguai e Bolívia — regiões onde autoridades apontam atuação do PCC.

O Brasil não participou da reunião liderada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. Países como México, Venezuela e Colômbia também ficaram de fora.

No evento, aliados de Washington discutiram ampliar a cooperação regional no combate ao narcotráfico e, em alguns casos, tratar grandes organizações criminosas como grupos terroristas.

Para o governo brasileiro, a iniciativa acendeu um sinal de alerta. Entre as preocupações está a possibilidade de operações contra o narcotráfico em rotas marítimas ou fluviais na região, incluindo áreas próximas ao rio Paraguai.

Fontes diplomáticas a par do assunto destacam receio com cenários mais sensíveis, como eventual atuação direta de forças estrangeiras em áreas urbanas brasileiras dominadas por facções.

Além disso, o tema enfrenta obstáculos jurídicos no Brasil. A legislação nacional diferencia organizações criminosas de terrorismo, com tipificações e penas distintas.

O país também segue a classificação adotada pelo Conselho de Segurança da ONU para enquadrar grupos terroristas. Uma eventual mudança nesse entendimento exigiria alteração na legislação brasileira.

Nos bastidores, a avaliação é de que o debate, em ano eleitoral, tende a ganhar peso nos próximos meses e pode se tornar um dos temas mais explorados na campanha presidencial deste ano.



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