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Consolidado como importante estrutura de apoio à conservação da fauna silvestre no Paraná, o Zoológico Municipal de Cascavel recebeu, nesta quinta-feira (2), uma onça-pintada capturada na região de Mandaguari, e que permanecerá no local temporariamente em observação antes de retornar à natureza.
A operação de captura do animal, coordenada por órgãos ambientais e de segurança, durou 48 dias e exigiu diversas estratégias para garantir a segurança do felino e da população.
Inicialmente, foram instaladas armadilhas, seguidas por campanhas mais intensas com pesquisadores especializados. A captura ocorreu na madrugada desta quinta-feira, quando a onça foi anestesiada, passou por uma primeira avaliação clínica e, em seguida, foi transportada para Cascavel.
A escolha pelo Zoológico Municipal de Cascavel levou em consideração a proximidade geográfica e a estrutura técnica disponível.
O animal é um macho e está instalado em um recinto de quarentena totalmente isolado, sem contato visual ou físico com seres humanos. O objetivo, de acordo com a bióloga do Zoológico de Cascavel, Vanilce Pereira de Oliveira, é preservar seus comportamentos naturais e evitar qualquer processo de habituação antes da soltura. “Mesmo durante a alimentação, o animal não terá contato com os tratadores. A comida é disponibilizada apenas após a saída da equipe do recinto. Todo esse cuidado é necessário porque ele será reintroduzido na natureza. Por enquanto, ele ficará apenas em observação. Todos os procedimentos serão definidos em conjunto com o IAT e o Ibama. Depois serão avaliados exames clínicos e laboratoriais necessários para verificar as condições de saúde e reunir informações importantes sobre o animal”, explica.
A expectativa é que a onça permaneça entre 30 e 60 dias em Cascavel, período necessário para a realização de exames complementares, recolhimento de material genético para pesquisa, instalação de radiocolar e definição do local mais adequado para soltura.
Considerada uma espécie criticamente ameaçada de extinção no Paraná, a onça foi avistada em uma área de fazenda experimental próxima a uma fábrica, sendo monitorada por câmeras de segurança e por relatos de moradores da região.
A partir da confirmação da presença do animal, foi montada uma operação envolvendo o Instituto Água e Terra (IAT), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Polícia Ambiental, o Corpo de Bombeiros, as Defesas Civis municipais e estadual, além da Prefeitura de Mandaguari.
De acordo com a analista ambiental do Ibama, Eunice Souza, a captura foi decidida somente após uma criteriosa avaliação técnica. “A nossa primeira opção é sempre o afugentamento e a avaliação da situação. Como se trata de uma espécie criticamente ameaçada aqui no Paraná e extremamente importante para a conservação, optou-se pela captura para garantir a segurança do animal e preservar sua importância genética para a espécie”.
A bióloga do Instituto Água e Terra (IAT), Natália Colombo, destaca que o caso reflete um cenário cada vez mais comum no Paraná, resultado da redução dos habitats naturais. “O Instituto acompanha ocorrências de grandes felinos em todo o Estado e busca sempre priorizar a coexistência pacífica entre esses animais e a sociedade. Mas o avanço da ocupação humana e a redução das áreas naturais tornam esses encontros mais frequentes”.
De acordo com os especialistas, o felino não deverá ser solto exatamente no ponto onde foi encontrado. A destinação será definida com apoio técnico do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), levando em consideração corredores ecológicos e áreas com condições adequadas para a espécie.
Apesar do longo período de permanência no Zoológico de Cascavel, o objetivo permanece o mesmo desde o início da operação: devolver o animal ao seu habitat natural com segurança.
Vanilce também destaca que a participação do Zoo de Cascavel reforça o papel da instituição na conservação da fauna silvestre. “O zoológico foi fundamental como ponto estratégico para receber esse animal e dar suporte aos órgãos ambientais. Além do trabalho com pesquisa e conservação, o Zoo de Cascavel tem se consolidado como referência em bem-estar animal e apoio à fauna silvestre.”
Orientações à população
Em situações de encontro com animais silvestres de grande porte, especialistas orientam que a prioridade é manter a calma e evitar atitudes que possam ser interpretadas como ameaça.
“A primeira orientação que a gente dá é não correr, porque esse é o primeiro instinto das pessoas e é justamente a primeira coisa que não se deve fazer. O ideal é manter a calma, dar passos lentamente para trás e se afastar devagar. Jamais se deve tentar atacá-los ou afugentá-los com objetos. Também é importante evitar contato visual direto, porque os felinos podem interpretar esse olhar como uma ameaça. A orientação é olhar para as patas do animal para não perdê-lo de vista e continuar se afastando. São animais que evitam conflito e o ser humano não está na lista do cardápio dele, por assim dizer, então eles não vão atacar por atacar”, orienta a bióloga do IAT, Natália Colombo.
Após chegar a um local seguro, a ocorrência deve ser comunicada aos órgãos ambientais competentes, como a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, a Polícia Ambiental, o Instituto Água e Terra (IAT), a Patrulha Ambiental ou demais instituições responsáveis.
A medida garante a segurança das pessoas e a preservação de espécies que desempenham papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas.
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Fonte: PARANAGOV
