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Entidades representativas da indústria brasileira reagiram de forma cautelosa à decisão, indicada pelo Copom (Comitê de Política Monetária) nesta quarta-feira (17), de reduzir a taxa Selic para 14,25% ao ano.

As instituições apontam que, apesar da diminuição ser um aspecto positivo, o nível dos juros ainda permanece em patamar restritivo, o que prejudica investimentos, competitividade e até mesmo saúde financeira de empresas e famílias.

Em comunicado, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) diz que a redução anunciada é insuficiente e incapaz de reverter o cenário de estagnação e asfixia financeira.

A entidade destaca que o novo patamar de 14,25% ainda está 3,1 pontos percentuais acima da taxa de equilíbrio (estimada em 11,1%), que seria o nível ideal para conciliar o controle inflacionário com o pleno emprego.

“Enquanto os juros reais continuarem tão elevados, beneficiando diretamente o capital especulativo, o custo do crédito vai seguir inviabilizando os planos de produção e expansão da indústria”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

“Da mesma forma, a medida se mostra ineficaz em aliviar o orçamento das famílias, das empresas e do próprio governo, que seguirão estrangulados pelo serviço da dívida, adiando a retomada do consumo e do investimento e a superação do fantasma da inadimplência”.

A análise da CNI também traz dados sobre o impacto na base produtiva e no consumo: “Os juros altos seguem impactando severamente empresas e famílias. Em abril, o Brasil atingiu a marca recorde de 9 milhões de CNPJs negativados, segundo a Serasa Experian – aumento de 1,5 milhão em um ano – com dívidas totalizando R$ 221 bilhões. Desse total, 8,5 milhões são micro e pequenas empresas, as mais vulneráveis ao aperto monetário”.

No âmbito das famílias, a instituição ressalta que o endividamento compromete cerca de 50% da renda acumulada, enquanto 30% do orçamento mensal é destinado ao pagamento de juros e amortizações.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria, esse quadro atua como um entrave direto ao consumo e à construção de patrimônio familiar.

Fiemg ressalta desafios para setores

A Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) classifica a decisão do Copom como um sinal favorável ao ambiente de negócios.

A entidade avalia que o movimento contribui para melhorar as condições de crédito e investimento, mas ressalta que os desafios permanecem elevados para setores dependentes de financiamento.

“Embora reconheça a importância da estabilidade de preços para a sustentação do crescimento econômico, a FIEMG destaca que a desinflação deve ocorrer de maneira compatível com a preservação da capacidade produtiva e da geração de empregos. Nesse sentido, a entidade entende que uma política monetária menos restritiva precisa ser acompanhada por maior coordenação com a política fiscal”, disse a federação mineira.

A entidade defende uma estratégia econômica capaz de conciliar controle da inflação, equilíbrio das contas públicas e estímulo à produção.

“Esse ambiente é fundamental para ampliar os investimentos, aumentar a produtividade e fortalecer a competitividade da indústria brasileira, criando condições para um crescimento econômico mais robusto e duradouro”.

Capacidade de investimento

A Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) também reiterou a importância de dar continuidade ao processo de flexibilização monetária é positiva, mas o patamar atual de juros penaliza a capacidade de investimento da indústria.

“O contexto pelo qual passa a indústria nacional é desafiador. Além da elevação dos custos de insumos e dos fretes, decorrentes da instabilidade geopolítica global, o alto – e persistente – custo de capital é fator fundamental que reduz a competitividade dos produtos brasileiros no mercado interno e externo”, aponta o economista-chefe da Firjan, Jonathas Goulart.

A federação fluminense destaca que a indústria de transformação opera 16% abaixo de seu máximo histórico, segundo dados do IBGE. Para a Firjan, o fortalecimento da credibilidade fiscal é fundamental para garantir a continuidade do processo de flexibilização monetária de forma estruturada e crível.



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