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Para os residentes do Golfo Pérsico, ricos em petróleo, o ataque do Irã foi inesperado e aterrorizante. Muitos estrangeiros deixaram temporariamente o país, à medida que o Irã lançava salvas de mísseis e drones, atingindo aeroportos, prédios residenciais e instalações petrolíferas.

Para o povo do pequeno Kuwait – a apenas 80 quilômetros do Irã – o conflito desperta lembranças de décadas atrás, quando o país se viu no centro da primeira Guerra do Golfo.

Na capital do Kuwait, Khalid Al-Ozaina, um vivaz pescador de 70 anos, aperta os olhos contra o sol enquanto recorda a invasão do ditador iraquiano Saddam Hussein em 2 de agosto de 1990: “Aquela foi a última vez que fomos proibidos de pescar”, diz ele.

À sua volta, centenas de barcos de lazer permanecem parados no cais do clube de pesca que ele administra. Ele observa melancolicamente as águas aparentemente calmas da marina, desejando pescar novamente.

Legado da guerra de Hussein e ocupação do Kuwait

A guerra de Saddam Hussein foi brutal, deixando impactos duradouros na sociedade e na política do Kuwait, que passou a depender tanto dos Estados Unidos quanto de seus vizinhos próximos.

Durante sete meses de ocupação, milhares de civis e soldados kuwaitianos morreram. Hussein reivindicou o petróleo do país como seu, mas suas tropas foram expulsas por uma coalizão de 39 nações na chamada Operação Tempestade no Deserto, liderada pelo então presidente dos EUA, George Bush.

Ao fugir, as tropas iraquianas incendiaram os campos de petróleo, cobrindo o país com fumaça negra e chuva pegajosa. A situação só foi controlada com a ajuda do especialista texano em incêndios de petróleo, Paul “Red” Adair.

Riscos atuais e resiliência da população

Os impactos do conflito voltam a ser sentidos. Bases militares americanas permanecem estratégicas, apesar de ataques iranianos que mataram seis militares dos EUA e quatro kuwaitianos. Uma menina de 11 anos morreu atingida por estilhaços de drone.

Os pontos cruciais permanecem: o Estreito de Hormuz, a cerca de 805 km do Kuwait, e a Ilha de Kharg, no Irã, a 209 km. Com o Kuwait a apenas 80 km do Irã, instalações petrolíferas e navios na região permanecem vulneráveis.

Apesar disso, muitos kuwaitianos mostram resiliência. Khaled Al-Rashid, controlador de tráfego aéreo aposentado, observa que o país está mais protegido: “Hoje, são apenas mísseis, e a defesa aérea intercepta 98% deles”, afirma. Famílias continuam frequentando ruas, lojas e cafés, celebrando o fim do Ramadã com cautela.

“O regime iraniano acredita que os Estados do Golfo podem pressionar os EUA. Por isso miram instalações de petróleo para aumentar os preços”, explica Al-Rashid. Mas acrescenta: “Eles podem lançar mais mísseis, mas isso não vai nos desestabilizar.”

O governo do Kuwait, no entanto, proibiu grandes celebrações de casamentos e shows durante o Eid al-Fitr, por temores de segurança.

Al-Ozaina, presidente do clube de pesca, estima que o conflito pode se prolongar “seis, até sete meses”, enquanto Al-Rashid alerta: “Esta é uma guerra na qual o Kuwait não tem interesse e não se beneficiaria… Quem confrontar o Irã vai perder.”



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