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Uma pesquisa do FGV Ibre aponta que a produtividade por horas trabalhadas no Brasil recuou 0,5% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano anterior. O dado chega em meio ao debate no Congresso Nacional sobre o fim da escala de trabalho 6×1, levantando questionamentos sobre os impactos de uma eventual mudança na jornada de trabalho para a economia brasileira.

Em entrevista à CNN, Tatiana Pinheiro, consultora econômica e pesquisadora da FGV-EESP, os fatores que explicam o baixo crescimento da produtividade no país são conhecidos e persistentes. “Além da questão do custo do capital, taxa de juros elevada, que desincentiva o investimento produtivo, você tem também a questão da mão de obra, da escassez de mão de obra qualificada, que também acaba desincentivando investimento nos setores”, afirmou.

Tatiana destacou ainda um desequilíbrio estrutural entre os setores da economia. Enquanto o agronegócio registra crescimento consistente de produtividade nas últimas três décadas, a indústria e os serviços permanecem estagnados. Como o setor de serviços representa cerca de 60% do PIB brasileiro, sua baixa produtividade acaba se sobrepondo aos avanços do campo, resultando num desempenho geral insatisfatório para a economia.

Ao ser questionada sobre a relação entre jornada de trabalho e produtividade, Tatiana afirmou: o impacto é real e documentado. Para ela, o debate sobre o fim dessa escala precisa considerar não apenas os custos diretos para os setores produtivos, mas também os custos gerados pelo adoecimento dos trabalhadores, que recaem tanto sobre o Estado quanto sobre as próprias empresas.

Brasil cai no ranking mundial de competitividade

Tatiana também mencionou um recente ranking de competitividade envolvendo 70 países, no qual o Brasil caiu sete posições, chegando à 65ª colocação. Entre os principais fatores apontados para essa queda estão o elevado custo do capital, a fragilidade institucional e a baixa qualidade da mão de obra. “Mesmo com a aprovação da reforma tributária, a carga tributária no Brasil é muito complexa e muito pesada”, acrescentou.

Para a pesquisadora, o fim da escala 6×1, analisado exclusivamente pela perspectiva da produtividade da força de trabalho, tende a ser positivo. No entanto, ela defende que o tema seja amplamente debatido antes de qualquer decisão. “A decisão não precisa ser afobada, mas ela tem que ser discutida. A gente tem que aplicar um tempo importante para que esse assunto seja debatido e se definido um plano correto, porque é bastante importante que o Brasil ganhe produtividade e um dos canais é via força de trabalho, via a mão de obra”, concluiu.



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