A jovem de 18 anos que denunciou o ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Marco Buzzi por assédio durante uma viagem a Balneário Camboriú (SC), em janeiro, reafirmou as acusações nesta quinta-feira (5), em depoimento à Corregedoria do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
Em um depoimento de mais de duas horas, prestado de forma presencial em São Paulo e acompanhado por magistrados da corregedoria em Brasília, a jovem ratificou o relato feito anteriormente à Polícia Civil e complementou detalhes do abuso.
A vítima é filha de um casal de amigos do ministro, que recebeu a família em casa no início do ano. De acordo com a denúncia, Buzzi teria tentado agarrá-la por três vezes enquanto ela tomava banho de mar.
Após a abordagem, conforme a denúncia, a jovem procurou os pais, que imediatamente retornaram a São Paulo e registraram um boletim de ocorrência. A denúncia também foi apresentada ao CNJ.
Marco Buzzi nega a acusação e afirma ter sido “surpreendido” com o teor da denúncia. Uma sindicância foi aberta no STJ.
Nesta quinta-feira, o ministro apresentou um atestado médico e não participou da sessão no tribunal. O magistrado está internado, mas não houve divulgação do prazo de alta nem do problema de saúde.
Como mostrou a CNN, fontes no STJ informaram que o afastamento é visto por ministros como uma saída para reduzir danos à imagem do tribunal em um período sensível para o Judiciário, diante de críticas e desconfianças sobre a atuação do STF (Supremo Tribunal Federal) no caso do Banco Master.
Apesar disso, a avaliação é que dificilmente Buzzi evitará a punição de aposentadoria compulsória, aplicada quando juízes cometem infração funcional e são retirados do cargo, mas mantêm remuneração proporcional ao tempo de contribuição.