Aliados do senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato do PL à Presidência, recomendaram “cabeça fria” após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgar vídeos nas redes sociais dizendo ter sido humilhada e maltratada pelo filho primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A cautela tem o objetivo claro de evitar que as declarações de Michelle, presidente do PL Mulher, provoquem desgaste junto ao eleitorado feminino e também ao público evangélico, que tem forte relação com a ex-primeira-dama.
O conteúdo dos vídeos surpreendeu e irritou Flávio e a cúpula do PL. À CNN, um importante integrante da sigla afirmou que Michelle levou a público um problema doméstico e que sua atitude favorece o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tentará a reeleição.
Apesar do evidente desgaste, a orientação no PL é ter paciência e buscar contornar o atrito internamente para tentar aplacar a nova crise na pré-campanha de Flávio.
Em aproximadamente 26 minutos de fala, distribuídos em duas postagens nas redes sociais, Michelle discorreu sobre uma série de situações e, especialmente, sobre as articulações estaduais do PL no Ceará, onde a sigla fechou apoio a Ciro Gomes (PSDB-CE), que disputará o governo do estado.
A ex-primeira-dama disse que, em um primeiro momento, não foi procurada nem por Flávio nem pelos outros filhos de Bolsonaro. Ela detalhou que ligou para o senador, mas não foi atendida. Segundo contou, o primogênito do clã Bolsonaro só retornou a ligação após ela fazer uma publicação nas redes sociais.
“Mas, sinceramente, para falar o que ele [Flávio] me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone, e eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem.”
Após a divulgação dos vídeos, Flávio Bolsonaro afirmou, durante uma transmissão ao vivo, que “nada nem ninguém” o aborrece porque a Seleção Brasileira estava jogando nesta quarta-feira.
“Hoje é dia de jogo, nada nem ninguém me aborrece. Vamos tratar de coisa boa, vamos tratar de futebol”, disse o senador, sem se referir explicitamente à madrasta.